Um dom?
Dote natural, talento irrevogável, que nos nasce entranhado, inefável explicação. Interroga-nos a cada instancia, sua presença um alívio, que dissolve a incessante busca dessa dádiva desconhecida. Cobramo-nos a todo instante sermos possuidores de um dom, se não nascemos para cantar que pintemos quadros sem as mãos, ou seja, reviramo-nos por toda uma vida ,mas não aceitamos morrer sem descobrir alguma mínima autenticidade que em nós, abriga-se. Em contrapartida , não mais procuro, e digo convicto, meu dom é de amar a vida , de amar na forma mais infantil, e de chorar transparente a ausência prévia de uma breve despedida. De falar com as mais inocentes palavras um ‘eu te amo” sem algum mínimo sentido seguro , mas sentir no sentido verídico a simples presença do puro. De ser bobo e ridicularizar o trágico com pobres ditos tolos, amando e fazendo da vida ,o dom de acabar sem medo com as regras inexistentes de um jogo. Ter um dom é ignorar dicionários, com pequenas atitudes aparecer e engrandecer esse rico cenário da vida, nela passar e receber o que é oferecido, em alguns casos, lidar com o dom dissimulado de dar a vida à algumas linhas, pois escrever é, simplesmente, amar, sentir-se vivo e passar para um pedaço de papel algumas poucas palavras soltas que juntas fazem, ou não, algum sentido.
(M.Seba)
domingo, 5 de setembro de 2010
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