Escrever (ê) v. intr. 1. Representar o pensamento por meio de caracteres. 2. Formar letras. v. tr. 3. Pôr ou dizer por escrito. 4. Encher de letras.

sábado, 15 de maio de 2010

Aptidão Inata.

Aptidão Inata.

Mais um tapa,aquilo doía, lembro-me como se fosse hoje, foram tantos durante anos, eu não entendia , mas era o certo ,bastava olhar em volta e enfim,eu realmente acreditava ser uma aberração diante de todos me convencendo que eu estava errado. Escrever meu nome se tornou a mais árdua de todas as coisas que eu fazia durante meu dia, minha mãe falava em tom de agonia, minha professora estava sempre em algum lugar me espiando e se eu segurasse um simples lápis na minha mais habilidosa mão, TAM! Mais um tapa. Ser canhoto, hoje até parece engraçado, eu que nem um tonto tentando enganar meu cérebro a trocar de hemisfério para satisfazer caprichos bobos, tinha poucos anos, e minha maão esquerda tremia , enquanto a direita fazia movimentos infelizes para tentar dançar como a outra fazia. Enfim, não tive saída,depois de tantos diagnósticos, esforço e perseverança, aprendi a ser um correto Ambidestro, palavra bonita, me senti até importante, passei minha vida acreditando ser o que me tinham dito,mas ainda não estava bom, até que um dia consegui, Destro, ouçam todos sou um Destro! Mais aliviado, estava no contexto.

Enfim , Os tempos mudaram, tanto faz sermos destros , ambidestros ou canhotos.... estamos salvos, ou será que apenas transferimos valores, digamos, num filme adaptado para um tempo contemporâneo? . Imaginem agora, Eu sou um menino, e me disseram ,assim que eu nasci ,que minha mão direita é uma menina, como vou falar pra eles , como vou convencê-los que não faz a mínima diferença a mão que uso para escrever, se não escolhi, se simplesmente nasci canhoto? Levo tapas e mais tapas, olhos e mais olhos me criticando, até conseguir alguma habilidade com a Mao direita para me manter dentro do padrão solicitado? . Enganarei todos. Serei mais um destro canhoto, um ambidestro, que ficara louco, mãos tremendo,... mais um mentiroso. Entro no meu quarto,e começo a escrever esse texto, percebo algo interessante, depois de tanto tempo,eu jurava, desatento me pego no flagra, e mesmo depois de tudo, adivinhem a mão que eu uso.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Último Gole.

Último Gole.

Arrancaram-me os braços ,levaram minhas pernas, preferia não ver, mas deixaram-me um olho,apenas um, tiraram minhas roupas , fui vendido a pouco , sinto-me sozinho, jogado de cara no fundo de um poço. Mãe ,não só te ouvi como ignorei, diga ao papai que não voltarei, não adianta me bater,não reajo a soco nem tapa na cara, não sei se respiro ou se choro meu vicio, não sei se choro ou se apenas me viro ;A centímetros, jogado no lixo, vejo-te ,não, não quero te ver , não aqui, meu amigo perdoa-me, eu sei que consegue sentir o mesmo ar que me degrada, destrói-me , tiram-me as palavras que pouco importam quando estou do teu lado; Olha-me, não fala, e me diz o que sempre me disse, me diz que isso tudo não esta existindo, fica comigo,sei lá, te conto uma historia,melhor, te dou minha memória, não consigo falar; Vejo-te tão perto, tão longe de mim, lembranças alcançam-me, matam-me , esganam-me , torturam-me seus olhos fechando implorando-me ajuda, sem braços ,sem pernas ,no meus pensamentos, abraço-te sozinho, só posso te ver por alguns, mais, segundos , num ultimo olhar vou tentar te dizer o quanto eu sou burro, o quanto eu te amo, o quanto eu suplico não ter que te ver, Partindo, diante e antes de mim, lembrando do nosso ultimo brinde, nosso ultimo gole, nossa ultima cena, pequena ,sem volta, de cara num poste.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Uma Dose.

Uma Dose.

De longe foi o porre mais gostoso em todos os meus poucos anos, embriagado de pernas bambas, a vida passava tão lenta, suava sobre rodas que equilibravam corpos arrastados para o centro da terra, íamos ao céu contrastando a gravidade ,e eu via cada momento sendo degustado na mais fina, na mais puta, na mais pura dose de gente, de mulher, nas minhas mãos, desnuda, sentia por dentro pulsadas de um coração, quente, dentre os dedos de um jovem aprendiz, burro, inconseqüente, um delinqüente que não soube lidar, ou somente apreciar, a dose tao unica que lhe deram para beber, a dose tao unica que lhe permitiam amar.Degustei, e assim que o amor fez efeito em questão de segundos, cortei-o, acordei no escuro, tive medo mesmo de mãos dadas, arranquei os dedos, e disse que nao mais o degustaria , menti pra mim mesmo, mas no intimo sabia, essa não era qualquer bebedeira,e ela sabe quem é, sabe que é, não de uma noite, não de uma vida, mas a mulher que vou deitar no colo, embriagado, e ,mesmo sem tê-la, pra sempre fazer poesia.