Uma Dose.
De longe foi o porre mais gostoso em todos os meus poucos anos, embriagado de pernas bambas, a vida passava tão lenta, suava sobre rodas que equilibravam corpos arrastados para o centro da terra, íamos ao céu contrastando a gravidade ,e eu via cada momento sendo degustado na mais fina, na mais puta, na mais pura dose de gente, de mulher, nas minhas mãos, desnuda, sentia por dentro pulsadas de um coração, quente, dentre os dedos de um jovem aprendiz, burro, inconseqüente, um delinqüente que não soube lidar, ou somente apreciar, a dose tao unica que lhe deram para beber, a dose tao unica que lhe permitiam amar.Degustei, e assim que o amor fez efeito em questão de segundos, cortei-o, acordei no escuro, tive medo mesmo de mãos dadas, arranquei os dedos, e disse que nao mais o degustaria , menti pra mim mesmo, mas no intimo sabia, essa não era qualquer bebedeira,e ela sabe quem é, sabe que é, não de uma noite, não de uma vida, mas a mulher que vou deitar no colo, embriagado, e ,mesmo sem tê-la, pra sempre fazer poesia.
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário