Escrever (ê) v. intr. 1. Representar o pensamento por meio de caracteres. 2. Formar letras. v. tr. 3. Pôr ou dizer por escrito. 4. Encher de letras.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Play

Play

Rolos,rolos, revira, poeira, são muitos de uma vida, caixas empilhadas, reviradas entre o fim e o começo, algumas embrulhadas, outras massacradas, caixas abertas, fechadas, lacradas,algumas reconheço, reviro caixas. Acho entre muitas, ela. É essa a caixa que guarda o mais novo filme da minha vida. Desembrulho como um recém-nascido saindo das minhas entranhas, tem cheiro de tesão no ar, descontrole, loucura com perda de sentidos, acho que era esse o cheiro que não sentia fazia algum tempo. Como num santuário ,ponho num grande maquinário o que aos poucos das minhas mãos se distancia, as luzes não se fazem presentes e no breu dos meus pensamentos transbordando de vazios curiosos não penso, não paro, respiro, sei que cedo ou tarde as luzes se acenderão, não penso, não paro, respiro, Play. É como um sonho invadindo a realidade tão obscura, é uma viagem em si com volta e sem aviso prévio. É uma grande bolha de sabão que cresce a cada assopro e estoura por nossa insaciabilidade de querer vê-la cada vez maior. Os olhos brilham, as mãos suam grudadas ao corpo que quase entra na tela, a cada cena os olhos engolem a próxima frase ainda inexistente, a cabeça se deixa invadir, iludir, cria o elo de uma história ainda não contada. O tempo passa, o corpo se aquieta na cadeira, as frases continuam porém os olhos satisfeitos se aquietam na cabeça, fraqueza. O tempo passa, o corpo deita, o tempo mata, os olhos caem, rolos,rolos,rolam, as mãos inquietam procuram o que comer, a luz acende, caio na realidade obscura iluminada na minha frente, de repente tudo acaba, choro, grito, choro mais, esperneio feito criança por um por quê, o final é uma incógnita imposta, embrulho com carinho e coloco no canto, fico olhando por horas, dias, meses o embrulho violado no fundo do quarto, ele se mistura com lacres apertados e caixas amassadas, ainda faltam tantas , me pergunto porque depois de tudo ainda insisto em revirar todas essas caixas, e somente abrir as malditas caixas lacradas.

Peça: Ator

PEÇA : ATOR

Peças barulhentas ao fundo ,se encaixam num movimento suave, escorrem falantes pela gravidade, as imagens gritam num sussurro ,embarcadas em suas viagens, eis o espetáculo. Engrenagens fazem ruídos, e ainda insistimos em não ouvi-los, fazem barulhos, não ficam caladas, pra cima, pra baixo, inquietas, de lado, de ponta cabeça, continuam encaixadas, mesmo que,as vezes, esquecidas, desmerecidas e umas até desconhecidas, continuam na ativa, não param, não calam, e se bem manipuladas, movimentam-se para todos os ângulos, para todos os lados, anunciando a sua maquinaria, enfim, viva. Eis o espetáculo. Perfeitas cartadas cruzadas, se prendem, conectadas, dialogam , movimentam-se muitas vezes de graça, nem todas descansam as oito horas, respiram, reclamam ,mas não calam, não desistem, o todo corresponde suas vidas, dependem uma das outras, por isso, não param, paradas não estão vivas, necessidade de movimento constante, são milhões de possibilidades, distantes não sobrevivem, desconectadas estão inutilizadas, desconectadas, simplesmente, se matam. Por isso não calam, não param, e assim, revelam-se peças da mais instigante maquinaria : o teatro. Eis o espetáculo.