Escrever (ê) v. intr. 1. Representar o pensamento por meio de caracteres. 2. Formar letras. v. tr. 3. Pôr ou dizer por escrito. 4. Encher de letras.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Tempo determinado.

Tempo determinado.

A pessoa certa não existe e sim a hora exata. A hora em que olhamos para o lado e algo está um pouco diferente, tudo parece mais bobo do que deveria estar. É nesse momento que nos olhamos no espelho e nele reflete a loucura nos olhos , a cara de criança com medo do escuro e a alegria de uma bolada na loteria,tudo isso misturado num único e ingênuo reflexo. Nesse momento somos uma contradição de sensações e nada nos faz acreditar somente sentir o que não pode ser explicado. Nos deixamos levar, ou simplesmente somos levados? Nunca saberemos pois apesar de sempre corrermos contra, a hora exata é tão precisa que não nos deixa escolha e casos não são mais meros acasos. Esse instante não pode ser adiantado com dedos , ou mesmo atrasado tentando enganar os ponteiros. Pois eles, de tão sábios ,nos deixam bobos quando tentamos parar seus relógios, fingimos não sentir seus momentos, insistimos em controlar situações planejando manipular nossos próprios sentimentos. É tudo tão inútil que os ponteiros se divertem, nos enrolam, nos maltratam com a hora que agora passa correndo, e cada momento vira segundos, como um orgasmo que não pode ser prolongado, vivido aos poucos e intensamente , um tesão intervalado que não tem lógica, que não tem fórmula, mas que nos mostra que a pessoa certa é pura utopia e a hora exata é somente uma comprovação.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Malandro de casca.

Malandro de casca.

Fecho os olhos, não sonho.Abro os mesmos, não vejo. Finjo que escuto, que gosto, que gozo loucamente, mas a verdade é que , ultimamente, nada me abala, e tudo é tão pouco que já não me surpreende. Corro do certo e do incerto tão óbvio. Ojerizo quem chega a ponto de o pra sempre eternizar. Não quero utopias, quero somente poder sentir sem ter que tocar. Fazem-me o que lhes mostro, vivo então na malandragem, a malandragem dos olhos sem foco, que desfocados se enforcam, se matam e deixam viver , num palco, o teatro do invejado vagabundo que não chora. Mentira. Malandro chora, apesar de viver na malícia, de controlar seus próprios cordéis e de escolher os dedos dos anéis que irá colocar, ele chora. E por muitas vezes, implora para que não cedam aos seus cortejos e em seguinda dêem beijos apaixonados, disfarçados de descaso. E nesse caso, aí sim, malandro ou vagabundo, que nao tem fundo, como dizem por aí, nesse momento tem peito, e nele também bate o que a respeito de todo ser se debate, um coração incalculável, que diferente dos demais se acostumou a ficar calado. Por isso, mesmo quando ,enfim, o inexplicável se faz reinar e ele encontra-se apaixonado, sofre por não poder gritar, pois por tanto tempo foi obrigado a vestir sua fantasia , mascarado de malícia, um oco malandro idealizado é ,somente, o tão frágil malandro de casca.
(M.Seba)

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Numa outra mesa de bar.

Numa outra mesa de bar.

Dois amigos ,de infância, tenho certeza. Violão e cavaquinho se completam na harmonia mais perfeita. Se olham como se com algumas notas estivessem relembrando toda uma vida juntos.Não falam.Vivem esse momento sem uma gota de álcool e gozam o simples significado de uma presença ainda não descrita no dicionário. As cordas parecem tão amigas , conhecidas de anos, de vidas, e mesmo a idade maltratando-os, suas energias se reviram e não param. É tão gostoso, invejável de tão bonito, de tão sincero, mesmo que não seja nada disso,numa mesa de bar eles desesperam a quem pára para os apreciar . Eles dispensam todo cenário e vivem num mundo lacrado ,visivelmente, a mais pura amizade. Alguns poucos olham e passam, outros param não muitos segundos e , eles, sozinhos como eu, não dão a mínima , dão à tapa, suas caras..Eles riem de nada, e são tudo que precisam numa tarde de sábado. Um deles carrega uma boina descombinada com uma camisa de botão , seus olhos,quase que, constantemente fechados não olham ,mas sentem na sua frente,um outro, com uma careca maltratada pelo tempo e um sorriso que, desatento, não se encontra em qualquer esquina , não se pode ser comprado. Levam nada menos que um samba de 1953, 1954 ... bons tempos eles dizem: ‘não te vejo em qualquer lugar’ e à essas musicas, se declaram , se embalam, se reconhecem, e fazem merecer seus próprios poucos trocados . Um mundo deles, ninguém entra e ninguém sai, nem eu sinto por inteiro, só escrevo o que me deixam notar quando notas escapam e ,serenas, ficam no ar. Meu ultimo gole de cerveja ,já quente, me diz agora que esse vazio ao meu lado deveria estar ocupado. Sozinha ouço, vejo, viajo, bem longe, desejo e não choro, também rio como eles, pois o que eu vejo , também vivo, e mesmo que nesse momento não possa se sentar na cadeira , tenho certeza que ela está do meu lado, disfarçada de vazio, escutando o mesmo samba e brindando mais uma cerveja, jurando outra vez ,ser este o nosso ultimo cigarro.

(M.Seba)

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Uma certeza inconsciente.

Uma certeza inconsciente.

São seis da manhã. Me aceite!
Não, não aceito! é tudo uma grande mentira! E ainda rio de você pobre sonhador estagnado no seu mundo de utopias mal contadas, não aceito, não lhe dou o braço a torcer, sempre foi assim meu senhor. Não insista.
São dez da manhã. Por favor, não me negue.
Não irei mais ouvir voz essa que me contradiz, me dizendo que tenho que ser bobo por uma causa sem explicação, não tenho tempo para isso. Gostei sim, mas foi passado acredite, hoje gosto de outras mãos e amanhã, mais delas sobre as minhas surgirão.
São duas horas da tarde. Não minta para si, não me peça que acredite nas suas falsas verdades.Apague esse cigarro sobre suas conversas fiadas. Suba lá e me aceite!
Agora você realmente me convenceu. Não apagarei meu cigarro, e acenderei um atrás do outro sem parar , não sobre minhas histórias, mas sobre memórias que hei de contar com o mesmo sorriso sarcástico que subirei agora nesse altar. Serei irônico para te satisfazer, então quer que eu aceite? Não me mate de rir, ainda tenho muito pra respirar, vamos olhe para mim! Eu não nasci para ter linhas marcadas, minha vida gira mais rápido que suas pérfidas palavras. Eu...
Cale a boca. São cinco horas. Olhe para ela e me negue agora!
São os olhos mais estúpidos que eu já vi. São os mais lindos. De joelhos fico diante da maior falta de perfeição, pois perfeito é descritível e isso não pode ser traduzido, é real, não uma simples idealização de livros, é sincero, eu sinto, é meu, estou certo.
São nove horas. Está vendo? Aceite-me seu idiota . Olhe,você está babando com seus sentimentos nus na frente de toda uma multidão, o que está esperando?
Realmente estou nu, e sinto todas as partes do meu corpo babando , vibram ao som que bombeia cada segundo , não espero mais nada, e ‘nada’ nada representa agora. ‘Tudo’ se revela a única palavra a ser dita. Ela me ouve, me fala, me entende, me vê, me quer, me olha e me prende sem deixar escapar uma única palavra...
Você tem cinco minutos. O outro dia está chegando. Esta é minha ultima súplica, não me faça te machucar.
Não! É tudo mentira!
Dois minutos.
Quer dizer...
Meia - Noite. Tarde demais.
Não , nao vá!
Nasce outro dia.
E mais um.
E mais outro.
Outro...
E então ... já somos outros, não somos nem muito nem pouco, somente outros, irreconhecíveis.
Te olho agora depois de tanto tempo e vejo que ao correr me fiz um estúpido - que descoberta fantástica, sua vez de ser sarcástica, tudo bem.
Fiz jus ao mundo mas não a mim, aprendi a não acreditar num amor que foi desacreditado ,pois quando ele diz que machuca, é mentira, ele destroi e ri de quem o negou, sem pena, fazendo lembrar sempre que possível daquele cigarro que, por algum motivo imaturo, não foi apagado.

domingo, 5 de setembro de 2010

Um dom?

Um dom?

Dote natural, talento irrevogável, que nos nasce entranhado, inefável explicação. Interroga-nos a cada instancia, sua presença um alívio, que dissolve a incessante busca dessa dádiva desconhecida. Cobramo-nos a todo instante sermos possuidores de um dom, se não nascemos para cantar que pintemos quadros sem as mãos, ou seja, reviramo-nos por toda uma vida ,mas não aceitamos morrer sem descobrir alguma mínima autenticidade que em nós, abriga-se. Em contrapartida , não mais procuro, e digo convicto, meu dom é de amar a vida , de amar na forma mais infantil, e de chorar transparente a ausência prévia de uma breve despedida. De falar com as mais inocentes palavras um ‘eu te amo” sem algum mínimo sentido seguro , mas sentir no sentido verídico a simples presença do puro. De ser bobo e ridicularizar o trágico com pobres ditos tolos, amando e fazendo da vida ,o dom de acabar sem medo com as regras inexistentes de um jogo. Ter um dom é ignorar dicionários, com pequenas atitudes aparecer e engrandecer esse rico cenário da vida, nela passar e receber o que é oferecido, em alguns casos, lidar com o dom dissimulado de dar a vida à algumas linhas, pois escrever é, simplesmente, amar, sentir-se vivo e passar para um pedaço de papel algumas poucas palavras soltas que juntas fazem, ou não, algum sentido.

(M.Seba)

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Finalmente.

Finalmente.

Não me importo se pensas
O que falas são falsas aparências
Tão aparentes quando me olha
Escoltada de legendas.
Que irrefutáveis, e sem sentenças,
Sem pena, delatam-te.

Não me importo o que penso
O que faço não tenciono
E se me perco o juízo
Roubo-te parte , equilíbrio
E traio um vício, erradicado.
Num cego olhar,
Imprevisível.

Não me importo o que faço, mas faço.
pois o que fazes, qualquer espontaneidade,ilude
O que falas contrasta atitudes, uma cortesia tão rude
Que me parece suave aquele tapa na cara.

Viro-me.
E se agora me importo,
não faz alguma diferença.
A lucidez fica.
A insensatez caminha,
e de costas vou-me embora.

sábado, 10 de julho de 2010

Orgasmo.

Orgasmo.

A verdade que te minto
É a mentira que te digo
Faz-se verdade tudo que sinto
Quando minto , por puro colírio,
o delirio veridico que não satisfaz.

(M.Seba)

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Até Amanhã.

Até amanha.

Aquele foi o ultimo abraço, e como eu iria saber que nunca mais o sentiria?
Hoje penso que o fiz tão rápido, seguido de um ‘até amanha’ já de costas, escutei ao fundo um ‘boa sorte' ao longe ,e assim teria passado nossa ultima cena.
Tinha uma prova no trabalho no dia seguinte, estava mais preocupada em acertar umas questões estupidas, do que sentir pela ultima vez, seu cheiro, seu abraço ou qualquer palavra boba.
Se a vida nos desse alguns avisos prévios viveríamos mais intensamente cada “eu te amo” , cada suspiro de quem nos faz levantar da cama, e nunca nos deixaríamos abalar por futilidades cotidianas.Mas não, ela prefere nos dar tapas na cara, e mesmo assim, não aprendemos.
Estava a mil, havia feito a maldita prova , problemas não me faltavam, era meio dia no centro da cidade, reclamava do calor desumano daquele inferno , e de um mendigo pedindo-me pão, incessantemente, por algumas esquinas. O telefone não parava de desequilibrar minha paciência, minha mãe me ligava, pensei se ia atender.
Atendi.
Recebi a noticia, juro que ri, era impossível estar acontecendo, nunca ri tanto na minha vida, o desespero era tamanho, que se eu chorasse estaria acreditando naquela verdade,e assinaria um atestado de mundo desmoronando.
Chorei, cai pela parede arrastada, nunca vi a face da morte assim na minha cara. Não queria levantar, estava nua e sentia frio no calor de quarenta graus do Rio . Nada mais fazia sentido, não era um conhecido, um namorado, uma paixao, nem um amigo, era meu melhor amigo. Tive vontade de comer o chão, de andar de quatro, mas não tinha forças nem para dizer que a merda do sapato caro que eu usava não valia mais nada.
Pessoas continuavam passando , nas suas rotinas sem sentido, Olhavam-me e provavelmente iriam comentar a cena ou não, em casa, vendo o jornal da noite, ou durante o jantar.
O tal mendigo olhava-me , fixamente e triste, deixou-me por longos minutos estirada no chão. Estendeu-me a mão. Senti -me o próprio mendigo queria pedir-lhe um pedaço de pão, mas antes de tentar pronunciar qualquer simulação de palavra, ele tirou do bolso um paninho muito surrado, branco amarelado. Morri. naquele momento morri. Abracei-o e só sabia pedir-lhe desculpas. Eu naquele momento eternizei um ato. Não sei dizer se foram segundos, minutos ou dias... ele Acalmou o que não podia ser domado , não naquele momento.
Olhou-me com cara de sábio e mesmo sem alguns dentes pareceu-me o sorriso mais erudito que já tinha visto na vida. Talvez até familiar, mas a situaçao não me deixou pensar.
Disse-me calmamente olhando nos olhos: “O medo da perda nos faz viver cada segundo, se voce não o conhecia, voce não vivia” continuou olhando-me , e assegurando que aquilo não iria passar, iria sim, amenizar e um dia, transformar-se em saudade
Colocou-me num táxi.
Nasci de novo quando ele bateu a porta do carro, e eu chorei sem parar a dor do tapa que o homem de branco havia me dado.
E é essa frase que eu levo , dentro do bolso, até hoje.
Depois de tanto tempo, depois de tanto choro, hoje ainda sinto saudade daquele seu abraço, tão único, que falava mudo, e eu não respondia, fazendo-me de surda, e que guardo com todo cuidado; Não penso em nada quando ganho um abraço depois desse dia.
Dói-me pensar que seu eu pudesse voltar, que se eu pudesse retomar aquela ultima cena....
Talvez tivesse te dado o mesmo abraço.
O mesmo último abraço. Apressado.

domingo, 13 de junho de 2010

Pouco Provável

Pouco Provável

Pouco provável me conquistar. Pouco provável me ver chorar.
Vivo sorrindo ,mas não mostrando os dentes, não vejo em alguém um bom amigo, não corro atrás de relacionamentos, não acredite em mim em nenhum momento se nunca me viu pedindo para me ver chorar. Um jeito quase perfeito, que camufla, quase engana , uma criança que não pára para olhar os seus defeitos. Eu não minto pra ninguém, mas não acredite em mim. Todos são colegas, conhecidos, nunca vistos, que já levei ou levarei pra cama, que nunca vou levar, ou que já me jogaram sem ao menos me perguntar.
E é só isso.
Com a superficialidade eu tenho compromisso. E vou te enganar até quando me for confortável, ou até quando o pouco provável manifestar-se. Por ser sincero , pode parecer estúpido, e é, mas você viverá ótimos momentos do meu lado.
E é só isso.
Apenas os poucos prováveis sabem que eu nunca vou ser só um amante , ou somente um grande amigo. É muito pouco para o pouco provável que eles atingiram.
Por isso,
Não me conquiste.
Será pouco provável que eu saia da sua vida.
(M.Seba)

sábado, 15 de maio de 2010

Aptidão Inata.

Aptidão Inata.

Mais um tapa,aquilo doía, lembro-me como se fosse hoje, foram tantos durante anos, eu não entendia , mas era o certo ,bastava olhar em volta e enfim,eu realmente acreditava ser uma aberração diante de todos me convencendo que eu estava errado. Escrever meu nome se tornou a mais árdua de todas as coisas que eu fazia durante meu dia, minha mãe falava em tom de agonia, minha professora estava sempre em algum lugar me espiando e se eu segurasse um simples lápis na minha mais habilidosa mão, TAM! Mais um tapa. Ser canhoto, hoje até parece engraçado, eu que nem um tonto tentando enganar meu cérebro a trocar de hemisfério para satisfazer caprichos bobos, tinha poucos anos, e minha maão esquerda tremia , enquanto a direita fazia movimentos infelizes para tentar dançar como a outra fazia. Enfim, não tive saída,depois de tantos diagnósticos, esforço e perseverança, aprendi a ser um correto Ambidestro, palavra bonita, me senti até importante, passei minha vida acreditando ser o que me tinham dito,mas ainda não estava bom, até que um dia consegui, Destro, ouçam todos sou um Destro! Mais aliviado, estava no contexto.

Enfim , Os tempos mudaram, tanto faz sermos destros , ambidestros ou canhotos.... estamos salvos, ou será que apenas transferimos valores, digamos, num filme adaptado para um tempo contemporâneo? . Imaginem agora, Eu sou um menino, e me disseram ,assim que eu nasci ,que minha mão direita é uma menina, como vou falar pra eles , como vou convencê-los que não faz a mínima diferença a mão que uso para escrever, se não escolhi, se simplesmente nasci canhoto? Levo tapas e mais tapas, olhos e mais olhos me criticando, até conseguir alguma habilidade com a Mao direita para me manter dentro do padrão solicitado? . Enganarei todos. Serei mais um destro canhoto, um ambidestro, que ficara louco, mãos tremendo,... mais um mentiroso. Entro no meu quarto,e começo a escrever esse texto, percebo algo interessante, depois de tanto tempo,eu jurava, desatento me pego no flagra, e mesmo depois de tudo, adivinhem a mão que eu uso.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Último Gole.

Último Gole.

Arrancaram-me os braços ,levaram minhas pernas, preferia não ver, mas deixaram-me um olho,apenas um, tiraram minhas roupas , fui vendido a pouco , sinto-me sozinho, jogado de cara no fundo de um poço. Mãe ,não só te ouvi como ignorei, diga ao papai que não voltarei, não adianta me bater,não reajo a soco nem tapa na cara, não sei se respiro ou se choro meu vicio, não sei se choro ou se apenas me viro ;A centímetros, jogado no lixo, vejo-te ,não, não quero te ver , não aqui, meu amigo perdoa-me, eu sei que consegue sentir o mesmo ar que me degrada, destrói-me , tiram-me as palavras que pouco importam quando estou do teu lado; Olha-me, não fala, e me diz o que sempre me disse, me diz que isso tudo não esta existindo, fica comigo,sei lá, te conto uma historia,melhor, te dou minha memória, não consigo falar; Vejo-te tão perto, tão longe de mim, lembranças alcançam-me, matam-me , esganam-me , torturam-me seus olhos fechando implorando-me ajuda, sem braços ,sem pernas ,no meus pensamentos, abraço-te sozinho, só posso te ver por alguns, mais, segundos , num ultimo olhar vou tentar te dizer o quanto eu sou burro, o quanto eu te amo, o quanto eu suplico não ter que te ver, Partindo, diante e antes de mim, lembrando do nosso ultimo brinde, nosso ultimo gole, nossa ultima cena, pequena ,sem volta, de cara num poste.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Uma Dose.

Uma Dose.

De longe foi o porre mais gostoso em todos os meus poucos anos, embriagado de pernas bambas, a vida passava tão lenta, suava sobre rodas que equilibravam corpos arrastados para o centro da terra, íamos ao céu contrastando a gravidade ,e eu via cada momento sendo degustado na mais fina, na mais puta, na mais pura dose de gente, de mulher, nas minhas mãos, desnuda, sentia por dentro pulsadas de um coração, quente, dentre os dedos de um jovem aprendiz, burro, inconseqüente, um delinqüente que não soube lidar, ou somente apreciar, a dose tao unica que lhe deram para beber, a dose tao unica que lhe permitiam amar.Degustei, e assim que o amor fez efeito em questão de segundos, cortei-o, acordei no escuro, tive medo mesmo de mãos dadas, arranquei os dedos, e disse que nao mais o degustaria , menti pra mim mesmo, mas no intimo sabia, essa não era qualquer bebedeira,e ela sabe quem é, sabe que é, não de uma noite, não de uma vida, mas a mulher que vou deitar no colo, embriagado, e ,mesmo sem tê-la, pra sempre fazer poesia.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Almofada de Cetim

Almofada de Cetim

O sol me acorda, com um tapa na cara, levanto triturado, todos os ossos desossados, vôo de calçada em calçada, desvio de grandes motores, brinco entre os odores de um beco abandonado, sinto que estou vivo, peripécias e cheiros fortes confirmam-me liberdade, sem cordas, sem acordes, reviro-me dentre restos, saboreio-me num banquete , são finos filetes, as minhas costelas sobressaltas. Salto, assalto, no asfalto, na calçada, sou feliz, não tenho roupas, sapatos, e nem hora de mijada. Barriga para o alto, nem cheia , nem vazia, nem farta, nem mendiga, desespero, alegria, sou modelo de piada,mesmo assim eu me distraio, vadiando vagabundo, minha vida moribunda, pára e a vê passar, visão estimulante , uma dama de madame, tosada, perfumada, a essência merecida do mais caro elogio, do mais caro descarado. Peito estufado, estirpe elegante, faço-me o melhor da sua nobre linhagem, ladro sem medo e ,simplesmente, dou de cara na calçada, não me nota, desmonta o pobre vira-lata, na lata, sem dó, tão cedo; Nao me desfaço, tenho o cheiro da caça notável na boca, carência de pelos, muito pouco, intercalados, não me nota de novo, que tolo, tão obvio o seu olhar, descrevem-me claramente sua almofada de cetim , recolho-me, enrolo-me e escondo-me , no conforto do meu papelão tímido num cantinho amassado, ela desvia e a deixo passar; ignorância, santa ignorância, a dama quer no mínimo uma cama pra deitar ,infeliz, você só tem a elegância de um cavalheiro nato, e para lhe oferecer, um pedaço de asfalto, e nada mais. Volto com minha barriga para o alto, e ela para o topo dos meus vagabundos sonhos de um rico vira-lata que não se cansa de sonhar.

domingo, 18 de abril de 2010

O tolo de Sófocles.

O tolo de Sófocles.

Batem na porta, mas isso são horas? Ainda babo no lençol com a boca amassada, ainda nem vi a cara do sol, desfigurado, tenho preguiça de me levantar, não agüento ter que falar, dizer, contar, fazer , quero comer de boca aberta ,rindo, sem talheres, com a mão, quero dizer não. Quer dizer, não quero nem falar. Batem na porta, mas como me acharam ? Finjo que não escuto, me faço desentendido, Não vou atender, não vou lhe dizer que eu não estou, não quero nem ver o que me restou desde a ultima vez que esteve aqui, por favor não insista, não te conheço, minto pra mim mesmo, reviro o lençol, peço ajuda a todos os santos que conheço, fecho os olhos. Batem na porta, será que não vão embora!? quero continuar nu, não quero encolher a barriga , cordas de outra vida não vão me prender no chão, quero dormir, acordar e beber uma vodca no meu desjejum, não quero ter nenhum, nenhum presente pra comprar, nenhum futuro pra pensar, nenhum plano pra fazer, não quero casa pra morar, faria agora um plano de fuga, ai se eu pudesse te vencer, ignorar suas batidas pulsadas na porta, elas me derrotam, me colocam no chão, de lado, de quatro, me cospem , me comem, depois de tantos tapas ,me fazem levantar com um sorriso na cara, me levam até a porta e sem olhar quem está lá fora, abro, me deparo, não consigo, não posso, desaprendi a correr, então... o faço entrar; Agora acabou meu sossego, sinta-se a vontade, eu digo sem nenhum desespero, não repare, proprietário da casa, sem medo ,eu quero, eu vejo,com cara de bobo, tolo, muito tolo, no tapete vermelho, eu deixo, certo do que eu quero, com insana clareza , o amor entrar e deitar no meu travesseiro. (M.Seba)

terça-feira, 13 de abril de 2010

Saudades.

Saudades.

As vezes, sempre, sem pensar, passa. Passa alguém na minha frente, passa uma musica no ar, passa alguém correndo, passam pessoas dizendo que eu chego lá, mas lá aonde? Aonde mesmo queremos chegar? Pra onde nós vamos? Pra quem estamos mentindo? E o que estamos levando, seja lá pra onde for? É estranho se perder de alguém que te encontrou, é estranho não saber muitas vezes pra onde vamos, mesmo que não seja para o mesmo lado, um dia estivemos lado a lado, mesmo que estivéssemos separados por milhões de contradições, estávamos sentados, fazendo nossas próprias e únicas “orações” ,que somente nós podemos nos explicar. Hoje nos sentamos tão longe, talvez palavras mal ditas nos mataram, talvez visões bem distintas acomodaram-se , e as vezes, sempre, sem pensar, passa alguém na minha frente, e me faz lembrar que jurávamos que não íamos passar. Engraçado como você foi uma peça única e diferente que se encaixou por simplesmente desencaixar, que ficou, e mesmo que longe, está guardado comigo, fomos amigos, e não sei se sou eu, se é você, ou o tempo , que vai confirmar, negar, ou morrer de rir de nós dois, as vezes, sempre, agindo sem pensar. (M.Seba)

Boa Noite.

Boa Noite.

Em pleno nascer do sol estão todos dormindo, sob uma única sombra que desespera seus gritos, mudos, tão surdos esses ouvidos que precisam escutar, que precisam ver para acreditar. Vejo desde o principio desse suicídio, meu pais, meus filhos, todos caíram ao chão, pediram socorro e avisaram como loucos e a cada nascer do sol menos um, menos muitos respirando ao meu lado. Calados, lado a lado, vocês ai, continuam ignorando, estirados , continuam dormindo, fingindo, dormindo...
O sol agora está tão quente, vejo um mar de gente , se eu pudesse bebê-los para sentirem na pele como eu me sinto. Delirando, lembro-me da minha infância, colocaram-me bem pequena, cobriram-me com cuidado e me amamentaram, cresci entre tantas diferenças, tantas cores, tantas vidas, rodeada. E Agora? Tudo isso não é nada, não temos mais nada, está tudo tão vazio, nossas cores desbotadas, desaparecendo, nada disso mais importa, as gravatas que me rodeiam mataram suas próprias raízes com seus pés calçados, pisaram-nos com seus sapatos, e hoje veja o resultado, coloquemos na balança , olhem, vocês pagam com pessoas sua própria ignorância, o monstro que criaram está dormindo e só irá acordar quando eu fechar os olhos, e dar boa noite a este triste , previsto ,e desacreditado espetáculo.
Ele se Poe, está se despedindo e vocês continuam dormindo, uma pena, uma pena seus pequenos não poderem ver os meus ,pois seus venenos nos matarão antes mesmo disso tudo acabar. E quando acordarem, talvez tarde demais, me verão fraca e única, como me sinto agora sem nenhum pra compartilhar, sem nenhum pra me ver chorar. Estarei nas suas estantes, brilhantes, serei memória, farei historia, lembrança da santa ignorância dos pés que não podem andar descalços, que pisam e fazem buracos por onde passam. Estou caindo, sinto meus braços quebrarem no chão, no mesmo chão que vi o primeiro raio de luz, minha primeira respiração. Sinto dor por não ser a única, sinto dor pois sou mais uma , mais uma decapitada, mais uma jogada, destinada a um caminhão. Acabou, virarei folha de rabiscar em suas mãos, um conselho, empalhem-me agora, vou contar-lhes um segredo, desprezível revelação, eu sou a ultima, a ultima árvore, e vocês.... a ultima geração. (M.Seba)

Mesa de Bar.

Mesa de Bar.

É aí que eu esqueço...
Esqueço do mundo,da inflação
Da Terra girando,
e que eu to sem um puto
Esqueço da hora,
Esqueço do tempo, da guerra lá fora
de quem ta me ligando
Esqueço quem eu sou ,
que meu time jogou
que meu cheque bateu ,
e que já nos beijamos,
Esqueço meus medos, de criança
Nossos cigarros acesos, são lembranças
Em dia de chuva, não vejo
esqueço da lua, e desejo...
Esqueço da fome, crianças na rua,
da pobre cultura que presenciamos
Esqueço quem nunca errou, confesso
Esqueço quem nunca amou, desprezo
Poetas , músicos, juntos
Mostram que a vida não passa de um show
guitarras e papeis lado a lado, de pé
numa viagem sem rumo , sem trilha
Esqueço da dor de cabeça, não choro,
Esqueço do frio na barriga, me jogo,
E ao som de lulu santos,
ou um samba de cartola, eu rio,
pois mais uma vez, esqueço da vida
Esqueço de tudo, e grito,
Rio dos supremos, tão alto
dos poderes, direitos,deveres,
Não tem trono, não tem rei
Esqueço das regras,
Esqueço das leis,
Tenho um ombro amigo, deito,
Contigo, não preciso de nada ,
Esqueço do frio, num abraço,
Esqueço que já é hora de voltar pra casa,
Mas antes de ir embora, não fale
Esqueça de tudo, não lembre de nada,
deguste comigo apenas um segundo, ou mais
Sacie o desejo de viver em outro mundo, a paz
um brinde,
Antes de qualquer ultima golada,
Às drogas das nossas vidas perfeitas e cruzadas.
Não esqueçamos disso por nada.
(M.Seba)

Sentido.

Sentido.

O primeiro raio de luz era desenhado, pintado como o mais belo dos quadros de uma exposição.O primeiro raio de luz era ela, simplesmente nua, de costas na minha direção.Ela só queria pegar uma roupa que a deixasse menos covarde aos olhos humanos, manipulava movimentos nada castos nas gavetas altas daquele comedor de sonhos, maldito armário, traidor daquele lindo cenário, onde estariam suas gavetas no chão? . Imaginava ela de quatro, abrindo e fechando as gavetas em baixo,mas em questão de segundos, passei do claro ao borrão, ela percebeu minha inquietação e se enrolou na toalha, fingi dispersão e fechei os olhos, ela se foi.
Acordei, meu dia começou, o café da manha já havia tomado, tomei-a em goles curtos logo pela manha, saboreei –a devorando com o único dos meus cinco sentidos que me era permitido, agradecia a magia da visão. Ainda deitada, enrolada, falava olhando para uma brecha na parede, aquela bolota de luz ainda babava no meu cobertor, sol vagabundo ainda não havia acordado, mas naquele dia eu lhe perdoei, o senhor sol estava perdoado, ele me acordou com um banho quente, os meus dedos congelados derreteram de repente, e debaixo de um lençol fino peguei fogo em movimentos circulares que não cansavam de tocar a carne - O único pedaço de carne do corpo que me dava prazer, que inferno, lembrava você, me invadira aquele dia, eu tinha idade mas tão pouca vida, eu sempre senti, sempre te vi nos meus sonhos mais sujos, meus desejos mais escondidos, você estava lá gritando meu nome, gozando a fome, não tinha lugar, não tinha hora - e ao mesmo tempo que me saciava, lembro-me ter implorado ajuda para não cometer mais um pecado, havia jurado de joelhos no chão, dizia não e,simultaneamente, gozava aquela gostosa sensação. Molhei todo lençol e a única testemunha desse crime era o sol que ,enfim, acordava .
Levantei. Pernas bambas, caminhei até a porta, derrota , ela veio na minha direção. Sem pedir licença, veio desfilando, lá se foi meu juramento, meu raciocínio? Lamentei por ainda não ser imortal para pensar em algo santo no momento. Fluorescente em um corredor escuro, iluminou as paredes obscuras, estava despida em seus trajes traíras que não escondiam nenhuma curva de toda sua perfeição. Me olhou, como se meu corpo não passasse de mais um bloco de concreto, igual a todo resto que ela já tinha desabado ao passar do banheiro ao quarto. Meu olfato me traia mais do que aquelas roupas fingidas que tentavam enganá-la; Seu cheiro custava tão caro a minha frágil memória, seu cheiro me transportava de um corredor a uma velha história, que ela me contara quando eu ainda não via lagrimas numa aliança, não chorava,e ria do amor como se ele nunca fosse o odor que eu fosse respirar. Respirei, mas respirei tão fundo que senti o doce do ar desintegrando alguns pedaços de mim que ainda me restavam. Então passei do ser vivo ao concreto, estava completa minha transformação, ela se atreveu a alguns milímetros de minha cintura gelada, congelada no vapor dos seus dedos borbulhando de vontade de comer meu corpo. Fome, esse era o nome da boca de cada dedo que descia, com malicia para me devorar, ela também possuía os cinco sentidos, mas preferiu usar o que naquele instante não era permitido, senti ,então, o tato. Fui do céu ao inferno num toque patético se fora daquele circo de epiléticos. Abri os olhos, e depois de degustar a sensação sublime do sexo imaginário, estava sozinha, lembro-me de detalhes, encostada na parede, a audição era a rede que me levou a acreditar que a dois passos ela se lambuzava em amassos indiscretos que entraram direto na minha imaginação.Pêlos, ela lidava com pêlos, músculos, falta de peitos, e algo entre as pernas que não me atraiam pelo menos nessa encarnação. Ela se lambuzava, enquanto eu, estática, chorava, era um homem, um homem em minha casa fazia-me chorar, eu o amava, e ele me tomava o que por falta de lei não era meu. Ela o amava e tomava-o com uma eterna aliança na mão esquerda .Eles eram marido e mulher, e eu deixara de ser criança, por aquela mesma, aquela mesma mulher. Corri, entrei no quarto e queria voltar a posição fetal, o gosto amargo daquela raiva matinal, passei a tarde me torturando, enforcando meus desejos com meus próprios dedos, me tocava, me sentia e me lambuzava sozinha, a passagem da vida no meu corpo de mulher parecia ganhar vida, pulsava a cada toque indigesto, inacabável sensação, consumei o prazer, estava dormente, ainda tinha vontade de comer. Adormeci. Meu corpo adolescente viu o dia cair, onde estaria aquela mulher? Sonhei ,mas naquele momento estava sonhando em branco, não tinha nada passando. Escutei uma musica ao fundo, era blues, não conseguia abrir os olhos, não tinha luz, o som me possuía, estava mais perto, ela ria de mim, reconheci aquele perfume, não podia ser, mas era, ela , era ela.
Eu dormia, me acordou, não disse bom dia, não disse meu amor, como uma louca esfomeada me engoliu, me ergueu como um troféu, me fez sentir o céu num beijo, com seus lábios escorregando meu corpo, as curvas ainda sonolentas derretendo em suas mãos ficavam nuas a cada movimento. Da boca ao pescoço, sentindo meu perfume, meu corpo ,misturado com seu cheiro na perfeita sintonia, mais uma peça caia, fervia, da água ao vapor, calor, percorrendo, descendo, mãos ,dedos acariciavam meus seios quentes , rasgando minha pele, costas, suspiros , olhares perdidos, uma fome descontrolada, mais uma mordida,o gosto doce da carne proibida, descendo, barriga, língua, saliva ,palavras sórdidas, ela arrancava com a boca,dizia , me xinga, me grita, chega onde ninguém conseguiu chegar, me tocava , implorava , suava em cima do desejo, da luxuria, dos seus seios nas minhas mãos a se entregar, enquanto se lambuzava, saciava a fome, a sede , o meu corpo devorado, molhado para ela beber, tomar em goles curtos, apreciando minhas falas sujas, delirando de prazer, me invade,ela gritava, dentro de mim me bate, na cara, me joga, me chama, me vira, me deixa de quatro, me pergunta quem é sua mulher, não pára, os gemidos se confundiam,o pecado nos perseguia, sua língua já não falava minha língua , ela era minha, minha mulher e antes que negasse, ela se entregava novamente, algemada no poder de uma mente descontrolada, de mais uma noite fora da cama, de mais um dia com minhas marcas de dentes.
A cena foi tocada como uma música num disco arranhado, diversas vezes, enquanto a noite nos observava, calada, simplesmente, sem uma palavra de consolo, a lua babava ao som do meu tolo corpo que ,enfim, despencava no inferno imaculado do sentimento mais puro e depravado , sagrada traição, mais uma vez passava por cima daquele homem, a carne não pensava ,e através de um único feixe de luz ,de uma porta mal trancada, continuava comendo minha própria madrasta ao doce som de Blues, que tocava, e não parava, não parava de tocar...(M.Seba)

Reticências

Reticências

Pra te ganhar, me perco, tomo um porre de um gole, por um segundo, meu vagabundo aparece e lhe tira para dançar, se aceitares não me diga, não diga nada a esse desgraçado, que toma meu corpo e me deixa pelado, na sua frente, salgado com gosto de água do mar. Pra te ganhar me perco, tomo quente, sem gelo, a quanto tempo te conheço, nunca vi , sempre te vejo, não sei, mas te desejo, não todo dia, nem nunca mais. Eterno, a ponta que nos une acesa, a fumaça queima, enérgica, dentro de bocas que não precisam falar, pois elas desejam,os desejos entocados são abertos e escapam, um filho comigo? Amante ou amigo? Agora ou jamais? nada mais é filtrado,e será que depois de tudo isso seria pecado lhe pedir um pedaço? . Trair? Não ,não traio, pelo menos não me traio, meu amor...olhos vendados não choram, é tudo tão rápido para que eu me preocupe, sei que o presente não faz perguntas, do teu lado, o certo ,sem escrúpulos, bate palmas para o errado, então aprecio o doce sabor desse veneno e não cuspo, engulo, não dou tapa na minha cara, peço para que me bata, e que nunca deixe de tocar nossa musica, muda, que não pode ser escrita, que não pode ser cantada. Pra te ganhar , me perco, num olhar desapareço, me despeço desse mundo, troco trajes de gala por roupas imundas, quero ver o sujo, um lado vagabundo pretendendo devorar, não diga nada, pois hoje joguei meu travesseiro no armário,o tranquei, eu quero dormir num pedaço de pano pendurado, em duas das quatro paredes mudas, testemunhas de frágeis pulsos impulsados, tão amigos que dão medo, conhecidos, nunca vistos, desespero tão seguro que não dá pra segurar. Pra te ganhar, me perco, o passado passa a limpo, e repete em passos lentos, controlado por um tempo que não há de acabar. Um abraço, traz o puro em contraste com vadio, um beijo nos une e nos faz perder sentidos , não todos ,ainda sinto seu gosto ofegante, sem querer incontrolável, imantado no meu corpo, a mistura revirada em um copo sem fundo, que bebo em goles curtos, todo dia me embriago ,Maldito vagabundo que lhe tira pra dançar,depois de tanto tempo, não nego, a historia continua, me encontro num encontro, te perco pra me ganhar. (M.Seba)

Monoblepsia.

Monoblepsia.

Tão perto, voce ali, tão longe, você aqui. Passei a porta e me despedi, te vi sorrindo desesperada, as minhas mãos não disfarçavam, molhadas anunciavam o fim ou o inicio de uma longa, mais uma longa noite de gala. Luzes cegavam olhos, que como sempre ainda nos olhavam,todos observavam alguma gafe, algum detalhe, alguma falha. Padrões requintados, vestidos dançavam com ternos engravatados , e não paravam , não paravam de rodar, se abraçavam ,se comiam , faziam filhos no ar, enquanto eu não, apenas desfilava ao redor das suas curvas, apreciava a valsa dos malditos panos enrolados na sua cintura, como um bom cavalheiro não me atrevia a um centímetro a mais, era loucura. Instinto animal aprisionado, sua carne imantada me trazia para seu lado, bocas quase coladas por metros de distancia, pensamentos tão sujos divergiam de toda aquela elegância e os olhos? não paravam de nos olhar, todos observavam alguma gafe, algum detalhe, alguma falha no ar, nos fitavam , fotografavam movimentos, babavam excrementos das suas cabeças podres, que não entendiam e não faziam questão de nos ignorar. Eu ria, pois nossas bocas sorriam juntas e em direções opostas, nossos corpos valsavam no mesmo ritmo, um em cada canto do salão, tínhamos nossas energias reviradas, comandadas pela força de te ver sendo olhada por um dos babacas engravatados de terno na mão. Contava as horas, os ponteiros dormiam, eu podia jurar que eles não se mexiam, ou no maximo corriam invertidos.,era voce na minha frente, a hora indiferente, e todos aqueles olhos, indiscretos, querendo nos devorar. Uma pena, uma pena vestidos não poderem dançar juntos, seriam tão lindos, entrelaçados, uma covardia às pobres gravatas que num canto ficariam paradas, e não poderiam fazer nada, absolutamente nada. (M.Seba)

Quadro social.

Quadro social.

Eu tenho as mãos , vocês possuem a obra, me deixem rabisca-la, experimentar novas cores, lambuzar suas tintas malditas, eternizadas na hipocrisia das foscas cores vazias. Eu tenho as mãos, que seguram pinceis, que movimenta baldes coloridos de idéias reprimidas; Nossos pensamentos não passam de tintas que preenchem quadros alvos despidos de roupas coloridas. Quadros quadrados, quadriláteros, com quatro lados, quatro ângulos iguais, nenhuma distorção, uma magnífica perfeição, somos nós ao nascermos, gritamos na mais inocente forma de reivindicação, não!, não queremos mais uma imagem realista, a realidade nos torna um exercito de quadros antigos, que não serão vendidos e apodrecerão num velho antiquário de esquina. Eu tenho as mãos, não tentem me transformar numa copia mal assumida de uma obra careta descolorada pelo tempo, não sumam com mais uma vida em troca de vaidade, pois quadros não precisam ser quadrados, escuta-se o afronto de uma voz, muito menos quadriláteros, essa voz se multiplica, queira um quadrado sem os quatro lados, o exercito o esmaga, e com os ângulos completamente desregulados, na fogueira é queimado. Esse é o fim dos abstratos, que conseguem ver o mundo revirado, distorcidos sem cores combinadas,o cinto ,enfim, é independente do sapato, e isso significa o desfalecimento da obra empoeirada no alto da estante de antecedentes chatos, que não nos deixam pintar.
Por isso joguem suas tintas para o alto, rabisquem, mesmo que sejam esmagados, coloram o abstrato, sejam puramente retardados, façam valer suas mãos, suas tintas , seus quadros, seus próprios e únicos quadros anti- quadrados. (M.Seba)

Você.

Você.

Voce é o que quer ser
Voce quer o que não pode ter
Voce parece o que não é
E o que não é, não é voce.

Se voce tem, não quer mais
E se consegue, não corre atrás
tudo parece não parar
e se pára ,voce quer andar.

Voce não vê o que esta na frente
Voce olha o que esta atrás
E se o presente interessa
O passado não satisfaz

Voce cai e não levanta
E se levanta não corre mais
Voce é dono dos seus problemas
Mas os problemas, são sempre mais.

Voce não ouve
Mas voce fala
Voce fala
E não quer ouvir
Voce transmite uma figura.
Desfigurada esta ali.
Voce de pé
Voce de costas
Voce me vê
Voce me olha,
Voce não olha os seus sapatos
Mas repara nos meus saltos.
Brilhantemente encardidos
voce não vê que adiante,
se não parar de me olhar
voce pode tropeçar.
Voce pode me perder
Ou quem sabe me ganhar.
(M.Seba)

Arnette, Dezessete.

Arnette, Dezessete.

Arnette, quase dezessete, linda, loira, rica,usava trapos que ninguém entendia, se divertia, continuava linda, sonhava com o amor, em fugir de casa, em degustar a liberdade ,por inteira não a queria pela metade; apaixonada pela vida, não entendia porque insistiam em complicar, revoltada , fumava, bebia, usava de tudo que pudesse lhe transportar desse mundo, transtornada, a lucidez não resistia aos seus perdidos da sua perfeita e invejada realidade, berço de ouro, menina prometida; Arnete, ou nete, tinha amigos, e um carro roubado, as vezes beijava meninas, tinha um idiota de um namorado, um babaca babão, comia na sua mão, mas era o mais belo dos retardados. Seus pais, não imaginavam, queria que fosse doutora como toda família,tivesse filhos e fosse bem sucedida, como todos, ela seria igual, mais um, mas ela não disfarçava, a escola mal freqüentava, coitados, ouvia , ouvia, mas não aceitava aquela hipocrisia, ela nem tentava, um cala a boca não a calava, brigava, encarava a voz da sabedoria, e ria na cara dos que chamava de atraso de vida. Sentia-se aprisionada, amarrada , criativa, escrevia, escrevia, na calçada largada, no bar, no meio da avenida, já que nas redações era castrada, suas palavras eram rasgadas, ignoradas, suas cartas ao presidente da republica, sátiras da nossa política suja, e poemas de amor para os falecidos humanos, seus ídolos, mortos, soterrados por essa porcaria que tinham coragem de denominar vida, eram punidas. Arnete,fez dezessete , era seu dia, drogada, com tudo que conhecia, junto e misturado, no seu mundo paralelo, tacou fogo na escola, na boate, deu um show de rebolado, xingou quem ela queria, gastou tudo que podia, foi pra cama com seu irmão, de criação, mas era irmão, pra terminar, jogou todos seus pertences no caminhão de lixo, que por acaso passava ,naquela madrugada, com os dentes afiados, foi tudo esmagado. Estava nua, no meio da rua, entrou na igreja pedindo cerveja, mandou o padre confessar que seus seios eram lindos, diante dos fieis fez um brinde a Deus, todo poderoso, responsável por tudo e por todos, foi presa, sem uma peça de roupa, um ano de reformatório, depois as grades eram certas, contando piadas ao policial , ainda mastigando algumas hóstias, Arnette só implorou para não prendê-la em um escritório, queria cigarros, e bons livros, uma vodca qualquer hora, um caderno de mil folhas, e que a apagassem da memória. Namorado, família, amigos, não queria visitas, Tinha uma folha para cada dia da sua vida,era o necessário .Escreveu tudo em prosas e poesias , as palavras sincronizadas em linhas impecáveis, uma perfeita cartada, era talentosa, estaria rica, mas na ultima folha, seu ultimo dia, a agonia a tomava, a morte a excitava , o que estaria atrás das cortinas, cada palavra escrita nessa folha não rimava ,passado um ano, era um sinal, arnette no dia do seu aniversario se mata, e deixa bem claro , na ultima folha, num rascunho mal acabado : ”Arnete não passa dos dezessete, agradeçam e divirtam-se com suas milhões de décadas mendigas, pois com uma rima embabacada, e duas palavras assassinas, eu resumo em uma frase irônica , suas tão sonhadas vidas...Arnette, dezessete.” (M.Seba)

Fim de Noite.

Fim de Noite.

Exala orgia, degusta amargo a boca vazia, saliva retalhada em mil pedaços de palavras soltas, por acaso combinadas no inferno imaculado de retardados, loucos soltos na noite, inconscientes, rindo da biomecânica dos seus próprios membros desobedientes, controlados por suas faltosas cabeças fora do lugar.Mergulham na fumaça, entranha em suas mentes, matam-se, tentam suicidar seus órgãos que não farão falta por algumas horas, ou até acordarem. Tentam fugir de onde seus próprios sapatos enterraram-se, bocas e mais bocas já não falam, sujas delinquentes, a procura de outras que lhe façam babar e que sequem seus lábios para que eles possam falar que não são carentes. Uma farsa. cambaleia até a porta, moedas no bolso, tem fome,e não se lembra do nome, daquela saliva que tanto prezava, que agora não está na sua casa. A boca vazia, degusta amargo,e da noite para o dia, mais uma manha, exala orgia. (M.Seba)

Agora, quem sabe... Nunca.

Agora, quem sabe... Nunca.

Atestado assinado
Está tudo assassinado
Eu matei o impossível
Esganei o passado
joguei no chão, estraçalhei
minha essência invadida
por um vidro quebrado,
nunca pensei,
ser amigo do frio na barriga
ser amigo do beijo roubado,
dessa vez eu ganhei
esganei o passado,
derramei , a libido,
desfigurado ,no chão frio,.
Arruinei o incerto ,
fiz dele o improvável.
Hoje, o incesto prevalece
E quando não suportares,
Reze uma prece.
Não peque, minha amiga.
Ou será algemada
Quem sabe ao meu lado.
Já cometi um pecado.
Esganei, matei, confesso um assassinato
Assino o atestado,e grito ,
Fui eu!
Que fiz do doce, seu doce amargo.
(M.Seba)

Me deixe dormir.

Me deixe dormir.


Eu vi minha sombra brilhar no escuro,
o meu cabelo nem grande nem curto,
confrontando a loucura, o imaturo,
com a hora de ir trabalhar.
Os ponteiros correndo , inseguros,
eu vi a hora passando, os segundos,
os meus pés tocando o chão, gelado.
Nao, eu disse sim para todo não
que me perseguia ,eu ria...

Meu bem, me deixe dormir,
me deixe sonhar ,me deixe aqui,
feche a porta e não fale mais nada,
e não diga que nada,não é nada
para me fazer sorrir.

Não me pergunte onde estou, para onde vou,
o que quero, onde devo chegar,
o que devo não devo explicar,
o que devo não vou te falar.
Onde estou pouco importa,
pra onde vou não há hora,
não te julgo agora se ainda quiser me beijar.

Eu vi minha sombra brilhar no escuro,
em um muro distante do mundo,
eu vi essa noite você se afogar,
eu bebi toda água do mar.
Matei a sede do fim de uma era,
eu vi todo o mundo desmoronando,
não sabia quem eu era,
estavam todos nus se amando.
Eu deitei no fim da estrada,
eu me vi nascer do ventre do nada,
sem dente eu babava toda essa gente ,
sem dente eu ria de alguns dementes
que comiam dinheiro com os dentes,
com seus dentes que não vão durar.
Eu vi que podia voar,
vi que podia fugir, e fugi ...

Meu bem, me deixe dormir,
me deixe sonhar, me deixe aqui,
feche a porta e não fale mais nada,
e não diga que nada, não é nada
para me distrair.

(M.Seba)

Lugar Marcado

Lugar Marcado

“Ah Destino, porque fizeste isso comigo? Irei rir para não chorar, não vales o peso da tua carga, não mais tentarei lhe decifrar, impossível descrever o imprevisível balanço do mar ;Ah destino, afogar-me-ei em curiosidades, mas não lhe indagarei infantilmente, saberia que riria do meu desconcertante semblante, ao vê-la distraída na janela ocupando meu suposto lugar; Ah destino, já sinto saudades de te abraçar, meu velho amigo, conveniente inimigo a vadiar.” (M.Seba)

Num dado momento.

Num dado momento.

Jogue um dado,instintivamente, quantas vezes quiser, quantas vezes se faça necessário , se a soma desses números for par, você vai, se for impar, você fica. Inventei esse jogo quando caí na mais cruel e impetuosa situação que a vida pode nos pregar, a Dúvida. Logo estava encantado, pois funcionava em qualquer situação, no trabalho, no amor, no dia a dia, desde as pequenas , como o sabor de um suco, até as mais monstruosas, estava fascinado, carregava meu dado como se fosse uma parte do meu corpo, me sentia seguro.
Numa noite como outra qualquer , para aliviar o estresse do dia-a-dia, marquei com uns amigos num barzinho, cheguei, fui bebendo umas e outras, já estava descontraído ,entre amigos, rolavam os mais diversos e divertidos assuntos , até que um deles se levantou e anunciou:_ bom, estou indo, amanha tenho que trabalhar, olhou para mim e perguntou:_ e você , vai ou fica? Fiz ar de malandro coloquei a mão no bolso, esperteza num sorriso, procurei meu pequeno amuleto, que nunca me deixara na mão, e...e...ele não estava. Desespero, parece engraçado, mas foi essa a palavra, como iria responder, estava tão mal acostumado, que não pensei e fui dizendo timidamente, vou...vou sim, e me despedi. Cheguei em casa a flor da pele, procurei meu dado em todo lugar, achei em cima da pia do banheiro, ah...alivio, não pensei duas vezes e fui conferir se tinha feito a escolha certa de ter vindo embora, joguei uma, duas, três...chega, vou somar...é isso, é isso, deu certo, claro que deu certo, encostei a cabeça no travesseiro e comecei a rir sozinho olhando para o pequeno cubo que me encarava, eu dizia lentamente como se estivesse falando com cada face do pequeno dado : A probabilidade de uma das alternativas acontecer é a metade da total certeza,isso era obvio , mas o que ninguém sabia era que a probabilidade da outra alternativa ,era ,e sempre será .... zero, fiquei em estado de choque, joguei o dado pela janela, Sim zero, zero, não parava de repetir, mas era isso, uma metade de toda probabilidade , Não existe , mas está ali, simplesmente , dando sentido ao meu jogo de dado, incrível como tentamos incessantemente uma explicação para nossos atos, no fundo sabemos e calculamos sempre para aquela flor acabar no bem me quer,”ai “ dela se não acabar, apelamos para as mais horrendas técnicas de destruição de seu pequeno caule até chegar o maldito bem me quer ; insistimos em fazer os mesmos caminhos de uma pessoa para aquele encontro ser uma coincidência , e jogamos duzentas vezes se necessário, para os dados somarem impar naquele momento em que você quer ficar, porque faz sentido, e quando faz algum mínimo sentido, já se tem uma explicação, a responsabilidade não é mais sua....suspirei, e assim é tão, tão mais confortável. Me virei e dormi.

Obs : na manha seguinte , comprei outro dado.
(M.Seba)

Grandes Momentos.

Grandes Momentos.

Vinhos caros não me convencem,
Sorrisos forçados não me satisfazem,
Dias nublados me irritam,
Não me enlouqueça com toda essa farsa
Caras lavadas, horas contadas
Dias perdidos, ombros arrastados
O sacrifício de estar ao lado
Implorando um beijo , um abraço
Uma cama, um corpo pelado.
Belo anel, dá pra comer?
Estomago colado.
Ou quem sabe esse casaco...
Digo, sou mendigo
E tenho fome.
Fome de vida, doce vida,
A água e o pão me convidam
A viver uma vida de miserável
Por um cobertor encharcado de suor
Embriaguez, espontaneidade
Eu e o meu pior, que é o meu melhor,
Quero gritar eu te amo no meio da rua
Atropelado pela chuva
Escrever poesias e me declarar
Na sua porta a luz da lua
E aos pés do Redentor
Ter vontade de voar,
Não preciso de um centavo
Para te mostrar o que é o amor
E por onde eu vou
Eu juro que lamento
Por seus Grandes momentos
Que custam tão caro
não terem do sol, todo seu calor.
Pode pagar a conta , que eu...
...eu já vou.
(M.Seba)

Ultimo refrão.

Ultimo refrão.

Qual é o seu nome?
De onde você veio?
Pra me dizer que sim,
que a vida é isso mesmo.
Não vai agora.
me da só mais um beijo,
e deita no meu peito
me canta outra canção
Não diz que sim,
Não diz que existe o não
a lua é testemunha
segura a minha mão,
e me conta...
Como foi sua noite?
Nos becos, passarelas
Nas vielas, nos sambas
Que eu te apresentei.
Me diz...
Me diz que eu estou louca
Que a vida é assim mesmo
É sim , é não , é tudo
É nada, é isso mesmo
Quer ir embora?
Dizer que eu fui um beijo,
Tão bom para guardar
Lembrar em dia de chuva
Ou quando for cantar
Nossa canção....
Não vai agora.
Fica do meu lado,
não diz que o amor é vago
tão vago pra entender...
aliás...
Qual é o seu nome?
De onde você veio?
Não sei, não reconheço
Nunca vi essa mulher,chorar.
Pra que chorar?
Não jogue outra vez
Suas lagrimas no chão
Não vou secar.
Vou te levar pra casa
Para nossa casa, talvez não.
Não mais cantaremos
Nossa historia para lua
Mataremos a canção
Aqui no meio dessa rua,
nesse ultimo refrão.
(M.Seba)

Controle de qualidade.

Controle de qualidade.

Nós somos as máquinas
Combustando motores
Robores cibernéticos
Patéticos no amor
Desafiamos a gravidade
Massacramos nossas espinhas
O sol se Poe despercebido
Imponentes, destruídos
Definhando numa mesa
Assim, de ombros moídos
Salivando o gosto amargo
De um tempo despercebido.

Somos essas máquinas
Com parafusos milimetrados
Desregulados na perfeição
Insistimos em equilibrados tombos
Em troca de enrugados milhões.
Tudo pré-meditado
Sem respirar uma meditação.
Incolores, despreparados
Escondidos em cubos de concreto
Amarrados em telas camufladas
Uma realidade abstrata
A memória falha,
Não recorda o gosto da água salgada.
Sanidade não fala
Mas o corpo insiste,exala
Formas anatômicas
Cedem a vez,
Loucura narcisista
Fórmulas arquitetônicas
ao lado do sarcástico projetista
que manipula a sua maquinaria,
Duvida.
E tem certeza da derrota que seria
Essa maquina não veria a vida
Não vale a pena colocar uma pilha
Para fazê-la andar.
(M.Seba)

Dona do samba.

Dona do samba.

Essa mulher ta diferente
O seu olhar ta diferente
Todos devoram sem parar
Mas eu , vou fazer diferente
Vou deixar ela sambar
Ate a noite cansar

Samba ,samba
Morena bamba,
Dona do samba, samba

Que o seu cabelo ta diferente
Sua boca ta diferente
O seu corpo todo molhado
Diferencia o seu gingado
Mas pra mim, é indiferente
Porque eu, vou fazer diferente
Vou deixar ela se acabar.
Não vou chorar se ela não voltar
Vai, samba ,samba
Não pára de sambar
Essa mulher ta diferente
O seu olhar ta diferente
Linda , mas diferente,
De todas que já vi sambar.

Samba ,samba
Morena bamba,
Dona do samba, samba.

Ela parou na minha frente,
olhou para seu par, indiferente
e me puxou pra sambar
Essa mulher ta diferente
Me devora no olhar
Ai se eu pudesse um dia
voltar no tempo,
Pra deixar ela sambar...
(M.Seba)

Ser Mãe.

Ser Mãe.

Nos meus braços que eram livres
Um peso sobrepõe-se
Um sorriso sem os dentes
Anunciam um casto sonho
nos meus seios escalvados
num solene, doce choro
implora, sob forma de protesto
minha manta de retalhos
dar a vida pela vida
ser mãe, ser sua amiga
te ensinar a caminhar
ver suas mãos que eram frágeis,
pequenas desajeitadas,
de porcelana modelada
até punhos de aço
que me laçam, me abraçam
que me fazem sentir viva.
a cada pergunta embaraçada,
A sábia poesia,
não consegue mais rimar.
então choro,
como você um dia nos meus braços
ao te ver partir, com asas coloridas
aquarela de uma vida , pintadas a mão.
Despede-se, com o mesmo sorriso
que um dia se apresentou
doce, sereno, descobriu o amor
construiu seu ninho de folhas atapetadas
Os seus braços que eram livres
agora também prometidos.
Fita-me ainda com trabalhado sorriso,
Um ‘eu te amo’ nada discreto
torna completo o sonho de ser Mãe.
Você voa, voa, voa....
Não vai mais voltar
Você voa, voa ,voa....
Como eu te ensinei a voar.
(M.Seba)

Pôr do sol.

Pôr do sol.

Hoje eu vi o sol nascer
E aos poucos ele indo embora....
Hoje se transforma em mais um ontem
Guardado na nossa memória

Deixa eu ficar mais um pouco,
Burilando o fim da nossa historia
Talvez eu chore, Talvez eu ria
Deite no seu colo e declame aquela poesia
Que eu nunca tive coragem de falar.
Talvez eu fale que já quis te mandar rosas
Mas que rosas são românticas demais
Eu sempre dizia que elas secavam, morriam
Você nunca quis acreditar
Confesso, era tudo mentira.
Mas... posso ficar?
Só mais um pouco....
Talvez eu fale que também sinto saudades
Que você fica linda com seu vestido preto
E que um dia te imaginei de branco no altar
Talvez eu traduza a sensação dos seus lábios
O indescritível calor do seu corpo,
A inocência daquele beijo apaixonado
sim... apaixonado
Talvez eu te diga mais tarde
que eu sou sim, um louco apaixonado
com movimentos retardados que me prendem,
mordaças apertadas que não me deixam falar
o quanto te amo, o quanto ainda quero te amar
Não vai embora...
Fica mais um pouco,
Eu sei que já é tarde,
Daqui a alguns minutos virarei seu ontem
Talvez amanha eu até te conte
Que você me ensinou o que é o amor.
Mas... agora não, continuarei calado,
Deixando sem perceber você partir
Deixando ,sem uma palavra, o sol se por.
Me permitindo esquecer, já sem seu abraço
Tudo que eu deixei de te falar
Pois se eu lembrar, talvez eu chore
No mar me jogue, talvez ninguém note
Minha primeira lagrima sincera,
Tanto tempo escondida
num salto, se afogar.
(M.Seba)

Ópera de Bonecos. ("Opira dî Pupi")

Ópera de Bonecos. ("Opira dî Pupi")

Frio, descontrolado,
Sou boneco de madeira do seu lado
Oco, sem um desabafo,
movimenta minhas pernas e meus braços.
mas eu amo, eu sofro
não vejo mal algum
eu me entrego, eu estou cego
não tenho mais nenhum!
Você puxa, repuxa
Fala-me o que é o amor
eu repito, não tenho boca
mas sei que estou sentindo dor!
Sempre oculta , controla
Mexe certo meus cordéis
A cruzeta em suas mãos
E eu dançando ao seus pés.

Frio, descontrolado
Sou boneco de madeira do seu lado
Perdido , manipulado
Controlando os meus gestos, meus abraços.
A cortina vai abrir, você está linda
Não consigo ir embora
mais uma vez ,sou seu marionete,
Sorrindo,
Pois boneco de madeira,
Não chora.
(M.Seba)

Testemunho.

Testemunho.

Pah
Será que ele bate?
Tum,tum,tum
Ele bate.

Pah ,pah
É ,ele bate
Tum,tum
Mas ainda bate

Pah ,pah ,pah
Ele não pára!
Tum.
Será que ainda bate?

Silencio.
Eles não batem mais.
Silencio
O sangue escorre
Ela morre.
Ele corre.
No silêncio,
embriagado.
(M.Seba)

Superficial.

Superficial.

Superficial.
O que me faz bem
Incomoda, faz mal
Superficial.
A carne oca bem retalhada
supera o espírito boçal
Superficial.
Sedas e trapos não andam juntos
Não formam conjuntos
Superficial.
A alma grita, abafada,
hipnose babada, os seios pulam.
Superficial.
A peça encaixa, discorda.
Bloqueio sexual, concorda
Superficial .
Estamos no mundo de peles
Cuidado para não virar
casaco caro na vitrine,
no inverno e nada mais.
Nada mais,
Superficial.
(M.Seba)

Tudo isso.

Tudo isso.

To sem nada
To descalço
Indigente, drogado,
sem um numero de celular
To sem nada
Tenho tudo
Não tenho ouro pra te dar
To comigo
To sem pressa
Não me interessa quanto eu vou andar
To sem fome,
To sem sede,
Tenho preguiça de respirar
Não quero falar
Não quero chegar
Quero dormir sob meu teto estrelado
Levem tudo
Deixem-me pelado
Não quero mais cabelo para pentear.
Pode cortar.
Já to sem nada
Pode ficar.
Ainda tenho tudo
Tudo isso.
Vocês ao menos conseguem enxergar?.
(M.Seba)

Desjejum.

Desjejum.

Depois de tanto tempo....

Hoje acordei com uma fome
Quero comer o seu nome
devorar suas insatisfações,
matar a sede insaciável da ressaca
que eu vivo para me manter equilibrada
todas as vezes que me atira um não.

Hoje acordei do meu lado,
Confortável ,estirada no colchão,
Pelada, quero me ver no espelho,
sem ter que chorar, ficar de joelho,
e pra mim mesma pedir perdão.

Hoje acordei ao avesso, não tente me desvirar
Quero gritar, tocar as notas no meu tom,
Não quero flores no meu portão, hoje não

To saindo, não tenho hora pra voltar....

Quero beber amores
Quero fumar minhas dores
Quero afundar, me afogar, pular de um precipício
pois se for pra me matar, me mato eu,
não preciso de suas facadas mal dadas.
No inferno,talvez eu descubra pessoas quentes,
que queiram amar até sentirem as costas suadas.

Hoje acordei e ainda tenho fome,
E quando eu terminar de comer seu nome.
Quero viver ,morrer pra você
Somente pra você,
apenas para nunca mais esquecer de comer,
apenas para nunca mais esquecer de viver.
(M.Seba)

Décimo terceiro andar

Décimo terceiro andar

Às vezes eu digo sim
Às vezes eu digo não

Olho para janela com os olhos fechados
Corro pra ela sem direção.
Não vejo nada, bato a testa
Caio de costas ,ela me estende a mão,
Digo não.

Levanto com a mão enfaixada
Dou um tapa na sua cara
Rio ,não me comovem seus cacos no chão
A encaro, o sol reflete minha cor desbotada
Digo não.

Lembro-me do sangue escorrendo
Você segurando meus dedos cortados
Seus olhos de vidro calados dizendo,
Fique em casa , sou eu que te amo.
Digo não.

Será que não se lembra de nada?
Amputa meus braços e me deixa jogada
Nem mais enxergo uma pedra no chão
Cansei de ser cega nessa escuridão,tenho olhos.
Digo não.

Às vezes eu digo sim
Às vezes eu digo não

Um dia te disse sim ,
Fiz jus ao anel dourado,
jurei te amar e ficar ao seu lado.
Hoje te digo não,
E com o mesmo anel dourado, até o ultimo caco, te despedaço.
Tiro as vendas, que agora estancam o sangue prometido no altar,
posso sentir o sol me abraçar ,ah....depois de tanto tempo...

...Jogo-me do décimo terceiro andar.
(M.Seba)

Ah o tempo...

Ah o tempo...

Ouvi dizer que o tempo é curto, apressado,e que em alguns segundos ele já passou. Ouvi dizer que nunca dá tempo, que não temos tempo , que o tempo que temos é pouco e já acabou. Vejo todos os dias pessoas se contorcendo, se revirando, enlouquecendo para não verem o tempo passar. Suam em cima de ponteiros, inquietos , que nada discretos giram sem parar. Vejo todos os dias, ao mesmo tempo,bocas reclamando que o tempo só passa quando não deve passar. Quebram os relógios, adiantam com o dedo,o que mais cedo queriam atrasar.
Ah o tempo....
Contradição que passa, suave desenfreada, como o ar em movimento. Não deixe de se levar, viva o seu tempo , não o tempo que quiseram te assoprar. Pois um dia tentaram me convencer que doze horas é metade de um dia, que temos que fechar os olhos um terço da nossa vida para dormir, acordar e não ver o espetáculo passar.
Ah o tempo....
Depois disso tive a certeza, que dele quero cada hora, minuto e segundo ,ainda nessa vida,quero enxergar os quatro cantos desse mundo ,não me darei o luxo de parar, pois a vida é muito curta para pararmos pra pensar. Ainda temos tanto tempo,temos muito, e tão pouco para contar.
O tempo passa...
Assopra o menino que corre a seu favor, esbanjando o tempo tão perseguido por aquele senhor, que se despede da cor dos seus cabelos e, que pede em apelos para o tempo não mais passar. O tempo não escuta,continua passando , com seu jaleco branco e um ar de superior, o tempo se transforma em doutor, remédio para toda forma de dor. Leva consigo um amor acabado,raiva, paixão ou aquela pessoa que estava ao seu lado,vira a pagina do desconhecido diário, tira roupas novas do armário. Traz e leva, leva e traz, mas não olha pra trás, não volta mais.
Ah o tempo....
Não peça para ele voar muito menos parar em algum segundo, o tempo não vai parar para entender seus absurdos.Antes disso tudo ,dê um tempo pra você, dê um tempo pra entender, dê um tempo de problemas., dê um tempo do passado, dê um tempo para o presente, dê um tempo para o tempo e sonhe o tempo que lhe foi dado. Não viva equilibrado em ponteiros corridos, desembestados, pois o futuro não existirá sem um tempo inventado.
Ah o tempo....
Deixou passar, é passado, não volta nem fica do seu lado, mas não foi perda de tempo, besteira falar em perda de tempo. Tempo não se perde, não se acha , não fica escondido, não existe tempo perdido, existe sim, tempo mal vivido.
(M.Seba)

Cigarros, Cervejas, Baralhos.

Cigarros, Cervejas, Baralhos.

Cigarros, cervejas, baralhos
Dividem o mesmo itinerário
Fazem a cabeça de ordinários
Que equilibrados em alguns copos de álcool,
Matam-se para somente se manterem de pé.
No meio dessa fumaça de fugitivos
Bandidos, caçados pelas suas foscas obrigações
Obrigados pelas suas próprias ações.
Jogados num recanto, relaxados,
largados nos seus sonhos,
Palhaços intoxicados.
Distantes do circo, longe de casa,
Cabeças desatarraxadas , braços sem trava.
que acendem cigarros,levantam cervejas,
e dedilham cartas do baralho.
Maldito momento sagrado.
Não há presente, futuro , passado.
Não há roupas nem sapatos apertados.
Há no meio da roda,um negro quadro,
Que nós mesmos rabiscamos,
passando a unha de baixo pra cima, de cima pra baixo
Tão negro, que por um momento pode ser esquecido, talvez pela alegria de um nariz de palhaço.
Tão negro , que só conseguimos manter apagado, enquanto durarem...
Cigarros, cervejas ,baralhos.
(M.Seba)

Jogo de Cartas.

Jogo de Cartas.

Jogo de cartas, cartas embaralhadas
Misturadas,enigmáticas cartas.
De costas, não são nada.
Naipes confundidos, cores trocadas
Desarrumadas, enumeradas cartas viradas
Não diga nada.
Apenas desvire uma carta virada.
Não há certa,não há errada.
Fixe nela, não se atreva ao resto do baralho
E mesmo embaralhado , desvie o olhar mascarado.
Desatenção pode lhe custar caro.
Pois uma, somente uma delas , te degustaria em segundos
Uma por si só te enlouqueceria para o mundo.,
Imundo jogo a jogar.
Jogo de cartas, cartas embaralhadas
Misturadas,enigmáticas cartas.
Não tente matar o jogo numa única cartada.
Não tente tomar uma mulher numa só golada
No meio de bobos da corte
Toda uma corte escravizada
No indiscreto leque de suas jogadas
Imundo jogo a jogar.
Na caixa ,coringas amassados,querendo um dia aprender
Do jogo ,descartados, suplicam talvez entender
Cartas cortando cartas, trepadas, delicadas cartadas..
Cartas com cartas na mangas, rindo da caixa jogada no chão.
enquanto eles tentam em quatro, decifrar a próxima jogada
do seu indecifrável jogo de sedução.
(M.Seba)

Por Acaso.

Por Acaso.

Por acaso te encontrei
E você estava lá, linda, desculpe falar
Por acaso não pude deixar de notar
Disfarçada no capuz de pano
Um casaco destoando aquele rico cenário
Por acaso, não parei pra pensar
Por trás , tirei a quente manta,
Meu cheiro me anunciava.
Meu abraço, delatava-me mais uma vez,
Beijando-te ,ao sussurro de palavras bandidas ,
Envolvendo seu corpo, no conforto de palavras amigas
Embebedava-me no sabor da sua saliva
O seu pescoço ,aos poucos derretendo em meus lábios
Eu juro, ali pude sentir sua carne viva.
Não sei se por acaso,mas recobri seus seios a transparecer
E não pude nem agradecer o próprio acaso
Que por acaso me fez hoje ,perceber
Que nosso caso, foi o acaso disfarçado em forma de ser.
(M.Seba)

Terceiro Sinal.

Terceiro Sinal.

Primeiro sinal, não há nada de mau, pessoas ainda se acomodando, dando uma espiada no ponteiro, luzes, perfumes se aglomerando em frente ao trapo gigante que apresentará em poucos segundos, o fim ou inicio do desespero ofegante atrás das cortinas desses loucos amantes da arte em ação .As mãos suam, aos poucos se entregam a perturbação do sistema nervoso aguçado, sem compaixão, fixado no que vem do outro lado, espiando, recebem mais um golpe de punhal, o Segundo sinal.Olho pra um lado ,para o outro e me dou conta, faço parte desse emaranhado de dementes, que fazem a vida tomar uma dimensão totalmente diferente dessa pobre realidade que temos nas mãos, que alivio.Por um momento esqueço toda aquela correria em passos lentos,não sei se levanto,não sei se sento, choro,rio ou se finjo ser normal. Mais uma espiada, cadeiras vazias agora todas corpulentas, cada uma com dois olhos que esperam atentos até o ultimo segundo de tormento, o espetáculo começar .Já sem luz, está tudo em nossas mãos, o som ecoa mais debochado do que nunca,sem muitas perguntas todos escutam ,o Terceiro sinal. Sinto todos os pêlos do meu corpo congelados, no figurino escolhido a dedo, lado a lado, numa fila de adrenalina fora do combinado. Sem tempo para pensar, olho em volta, não tem volta, a cortina está chegando, o que fazer agora? a pergunta se dissolve em segundos ,e antes que ela me atropele, encho o peito e mesmo ainda sem muito jeito me atiro e faço, me embolo , me entrelaço em roupas e cabelos fingidos, mas naquele tempo tão reais .Cadeiras andam como jamais andaram, falam, caladas não param de falar, eu juro,elas dançam a valsa no ritmo das cores, amores , ódios, discutem, severas não perdoam um pé fora do palanque.Estão tão próximas que roubam nas suas artimanhas sorrisos e encantos das cadeiras corpulentas ,que atentas, servem de combustível , o gás que nos sustenta ,em cima dessa loucura sem explicação . Saio ,entro, entro e saio,embaralho ensaiado, escondem as saias, num momento puxam o tapete e tiram a peruca, algo deu errado. Mesmo pelado não paro, olhares não perdoam, as luzes não escondem, mostram e apresentam a figura tão segura, que nua grita: _ Eu também sei jogar . E mesmo sem saltos mergulha na sua fantasia, nada sem um pé de sapato, mancando, passa por baixo da saia do acaso. Pois mesmo sem um bigode, a voz sempre explode dentro do peito, e tudo que foi martelado durante meses de trabalho, se despregam e fazem o gigante e monstruoso espetáculo acontecer.
A cortina fecha, é festa, o sanatório se abraça com toda força que não se acha em qualquer encenação. Um ser, já sem voz ,de cabelo em pé, com a insanidade a flor da pele, não se despede, fica de pé e ao mesmo tempo que grita, reclama, explode, quase pira, se levanta e aplaude, nada mais nada menos ,que o trabalho incessante de loucos, que juntos acreditam no, simples , complexo, insano nexo, poder da sua arte surtada.
(M.Seba)

Mulher de Porcelana.

Mulher de Porcelana.

Na mesa, galanteada dama realeza
Na cama, vadia, malícia me clama.
Faz pose, postura penetrante
Embebido na presença meretriz de olhos amantes.

Cortesia profunda alinha-se em elegantes trejeitos
Fina-se por meu corpo bandido, já consumido.
Maneja a taça de prata burilada com traços finos
Toda essência é invadida em um solitário e irracional suspiro.

Priva-se a manipular puros nobres sorrisos
Sua bendiga silhueta rabisca formas às cortinas
Em vestes douradas, castidade lícita transpira.
Não impede ordinários dizeres de bocas sujas e cretinas

Requintado jantar finda
Saciada ,goza a indizível sensação
Mulheres se engrandecem e se despedem
Com a sórdida mente que falha a antiga devoção
Estimam as regalias de um lar agasalhado
Uma cama para vadiar a uma mesa adornada.
Mulher de porcelana, dócil manejada
Em uma roda de cachorros poetas esfomeados.
(M.Seba)

Carta Selada

Carta Selada

Recebo cartas e mais cartas sem remetente
E se está tudo tão evidente
Vamos escrever, para não termos que falar.
Vamos fingir que nos perdoamos
Ou que nunca nos amamos.
Somos estranhos a nos declarar
Amigos a se calar
Vamos ridicularizar nossos espelhos
E de joelhos lânguidos, pender
Chorar até que cansemos de escrever
Soluçando em cada palavra assassinada
Até que adormeçamos sem nos olhar.As horas se passarão,Os dias irão sem notarmos.Chegarão cartas e mais cartas sem remetente
Continuará tudo tão evidente.
Você não vai me convencer.
Muito menos me afogar nas suas mágoas de papel
Que rasgaram o véu que eu mesmo havia costurado.
Com linha e agulha do que há de mais fino e delicado.
Depois de tanto tempo
Entre peitos e perfumes
Hoje escolho o aroma do desejo
A pele , a carne , o pecado explanado
A perversão daquele beijo
Não do seu beijo.
Esse agora está riscado, apagado.
No travesseiro molhado a torcer,
No travesseiro calado a escrever
Para que eu possa ler ,mais uma obstinada carta
Que diz calada e, novamente sem remetente:
“Não importa qualquer telefone ou assinatura rabiscada,
Deixo aqui a minha última carta selada
Pelo amor de um penitente que nunca, mas nunca será perdoado
Por não ter dito o mais verídico EU TE AMO a cada remetente apagado.”
(M.Seba)

Amorteamo...

Amorteamo...

É tanto tempo
Parece tão pequeno
De tudo aquilo que aconteceu
O céu desceu e não seguramos
Enquanto amamos, vamos morrer
Enquanto eu parto, quero te ter
Seus olhos falam, amo você

O mar engole nossas esperanças
E nos afogam num dia de sol
Ainda amando na areia em trapos
Nós explodimos mortos de tesão
Enquanto eu parto, quero te ter
Seus olhos falam, amo você

A noite cai estamos cegos nesse mundo
Perdidos ,loucos, soltos sem direção
E tropeçamos no bueiro desse escuro
Mais uma vez amando na perdição
Enquanto amamos, vamos morrer
Seus olhos falam, amo você
Seus olhos gritam ,pra que viver
Se eu nunca mais, puder amar você.
(M.Seba)

Cheiro de chiclete.

Cheiro de chiclete.

No susto, o som agudo se esgoela, quem é ela, tantos porquês, Incredulidade no seu ser, não tem desenho na TV, revolta, tudo isso a sua volta, será que não tem volta aquele mundo renascer?. Levanta, sem o colo que lhe deu vida, bendita, maldita hora de relembrar, não tem merendeira ,leite quente na mamadeira, giz de cera para pintar, reclama , se pergunta com a voz arrastada, o que a faz acordar. Despida, se depara com o espelho, vermelho, escorrendo nas entranhas, estranhas que nunca parou para espiar.Instinto despertado, já não faz mil travessuras, tira o dedo na tomada, pra dormir já não tem hora, papai Noel não lhe traz nada. Enquanto chora, pêlos não ficam somente na cabeça,se entocam no refugio do seu corpo,encorpado, assustada com tanta informação , olha pra baixo, não acredita, seus peitos avantajados , sem jeito, furam delicados o pijama de ursinho costurado à mão , desgastado pelo tempo, lamento, está na hora de crescer. Seca as lágrimas, ao seu redor , prateleiras coloridas, bonecas sorridentes injuriadas,arrastadas para um canto, desencanto ao abrir o armário, cheiro de chiclete e roupas imitando o arco íris saem voando, a deixando, sobrando apenas saltos proibidos, vestidos de boutique, ternos e perfumes importados para todo lado.Vira, fita a cama alongada,não entende nada, pra que todo esse espaço? A porta embutida revela, entre o vapor de um banho quente, sai um homem enrolado, um grito de assombro, todo o resto está pelado, e só agora entende o porquê de tanto espaço .Com um beijo nos lábios se apresenta, congelada naquele vapor, não agüenta, corre e se desorienta pela casa, a memória estala, eu já vi essa morada, nas páginas de revistas, noivas sorrindo na capa, é meu sonho de criança, alucinada menina, fantasiando no colégio com as amigas na escada .Pára, fecha os olhos e concentra, para que desse sonho possa acordar, sua calça repuxada atrapalha, é um menino, lindo, com olhos a fitar, choroso com a injustiça a reclamar:_Mamãe ele ta me batendo!. Não isso não pode estar acontecendo .Filhos , marido, uma casa pra cuidar, sem um colo pra deitar. Uma voz grave interrompe seu pensamento, um homem alto, desgastado pelo tempo, se atreve a lhe entregar, papéis empilhados, contas pra pagar,cadê meu livro de colorir, o desejo de voar....aaaaaaahh.... só resta se jogar no sofá,despenca, o sono exerce domínio sobre todo esse embaraço, e sem um laço para terminar, uma voz doce a acalma, sente perto a sua alma, o conforto do leite quente na cama torna a reinar.No susto, o som agudo se esgoela, mas não da sua goela, despertador insistente grita... está na hora de acordar!... tudo novamente colorido a sua volta, o cheiro de chiclete está no ar, alivio, está leve, sente vontade de voar, no conforto do colo quente que ainda não mente, longe do susto daquele pesadelo, fala a pensar ,: _Mamãe me promete uma coisa sem cruzar o dedo? Quando eu crescer quero ter filhos, marido e uma casa pra cuidar, mas não me deixe o cheiro de chiclete perder, não me deixe nunca, parar de brincar. (M.Seba)

Por que....?

Por que....?

Quando eu era criança, gente grande dizia:
Coloca a mochila menino, levanta, vai pra escola estudar! Você tem que aprender a ler e escrever, passar de ano,não é só merendar, vai entrar numa faculdade, ser doutor , engenheiro ou juiz, não vai poder mais cutucar o nariz, vai arrumar um emprego, ganhar muito dinheiro, ter filhos, uma casa para sustentar,e.... começavam a rir e sempre paravam por ai... eu ficava escutando, olhando para um lado e para o outro, o que ele ta falando? Esse é o fim que eu vou ter quando tiver esse tamanho? Vou ficar barrigudo, barbudo , cheio de dente na boca, tomando essa coisa amarela que deixa todo mundo bobo? Onde estaria a parte boa de toda essa brincadeira, ninguém respondia o que eu queria saber... olhava para um lado, olhava para o outro,tentava de novo:
Por que....?
Antes de pensar em falar...lá em cima uma voz grave ou aguda sempre me interrompia...
Vai lá pra dentro menino, pintar seu livro de colorir, não é assunto de criança isso aqui, um dia você vai entender...
Não retrucava, afinal ele tinha razão,não é assunto de criança querer saber... Por que agente chora?, Por que se namora?, Por que somos todos diferentes?, Por que caem meus dentes?, Por que nós todos vamos morrer?, Por que agente não pode voar?,De onde vem os bebes? Porque os desenhos tem que acabar?, Por que eu não posso comer sobremesa antes do jantar?, Porque eu não posso saber? , eu sou um ser como você querendo entender.... Porque vocês pararam de brincar?.
Cresci, nem todas perguntas me foram respondidas, mas aprendi a andar com minhas próprias pernas e não dispensar nenhuma mínima pergunta inocente, que vem lá de baixo, sem muitos dentes, querendo uma resposta escutar, pergunta gostosa, sem maldade da idade, que as vezes nos enrola ou nos faz perceber que ainda somos pequenos bebes diante desse grande ser. Agora que estou do tamanho que posso perguntar, estou aqui em cima para ouvir, responder todos esse “porquês” sem gritar, pode ter certeza que minha cria vai entender quando quiser, pensar, e discutir sem aceitar qualquer:_ vai dormir! Não é assunto de criança!.Como eu escutei toda minha infância, pois a vida não é só uma mochila nas costas transbordando de dinheiro, é uma grande brincadeira , que nenhum doutor, juiz ou engenheiro, consegue explicar, só as crianças conseguem viver, na sua inocência enxergar,estão tentando nos ajudar,e não as deixamos falar, ficamos assim então,fugindo e mentindo, pois não sabemos respondê-las porque paramos de brincar. (M.Seba)

Dissimulado hóspede

Dissimulado hóspede

Não sente nada,
mas dentro exala
implodido veneno
Duro como pedra,
Coração desapega
Pega e larga, larga e pega
Depois não faz nada
Bocas e mais bocas querendo beijar
Bocas e mais bocas querendo te dar
O aconchego de um lar
Não entendo , vira e deita
Não aceita ter que amar.
Seu fraco amador
Não tente enganar o sábio amor.
Ria agora para não chorar
Ria enquanto ele não te faz lagrimas derramar
Desista,
Bocas e mais bocas querendo beijar
Bocas e mais bocas querendo te dar
O aconchego de um lar
Dissimulado hospede
se vira e dorme.
Sem nenhuma palavra escapar,
Sem seu próprio nome revelar.
(M.Seba)

Mãos Suadas.

Mãos Suadas.

Passo, passo a passo, não volto, não paro, não me interessa mesmo não tendo pressa, rio, debocho dessas mentes pequenas, mendigas, assassinas que não podem me matar.Sou de ferro, não quebro, me olhe, pode me analisar, leve para casa e conte para seus filhos, mas não me deixe confinado num tubo de ensaio somente a observar . Aproveite que parou, veja se consegue esticar o chiclete, grudado na sola do seu sapato , que está aí embaixo a mais de uma semana , dormindo ao lado de sua cama e você nunca parou para olhar.
Continuo passando,passo a passo, o vento me trai novamente, sussurros me atraem, eles não param de falar, sinto-me incorporada num antigo revolucionário, e quem estiver ai em cima, muito obrigado por toda essa descriminação, assim enfrento meus medos, conceitos, não corto meus dedos, meu peito cheio,agora sim, sinto que tenho mais de um pulmão, para respirar fundo sempre que reprimido por olhos escondidos, disfarçados nesse petulante padrão .Mesmo assim eu dou a mão,não largo, aperto forte, faço um corte de tanto tesão , não ligo, exibo, meu semelhante semblante , amante, com mesmo brinquedo entre as pernas, calcinhas ,sutiãs e cuecas espalhadas pelo chão, eu brinco ,coloco o nariz de palhaço e divirto, bocas abertas ,testas amassadas, cabeças confusas, não entendem nada, o afronto de ver a diferença, incômodo da simples presença, não pensam e já falam no cantinho, nos ouvidos vizinhos , o que seria essa aberração, são digitais finas e delicadas ,respondo, juntas e mixadas numa grande vitamina de emoção.
Passo, passo a passo, penso no normal, anormal ,homo, hetero, metra, etecetera e tal, não importa, é tão quanto natural, que aquele belo casal de novelas mexicanas,lindos na cama. Nos filmes exibidos, casamento entre amigos, conhecidos, nunca vistos, apaixonados, embarreirados amantes do mal, assim somos falados, como esses últimos somos apresentados a toda uma nação, só esquecem da seguinte premissa, a injustiça, a falta do que falar, o ódio reprimido nos olhos do filho da puta, sem culpa, com as mãos atadas, que ao chegar no altar, não pára de olhar, não pode subir, pois seu amor não tem imprescindível direito penal perante todo esse mundo marginal .Em pensamentos pequenos e ridículos, antigos venenos usados são desenterrados para se combater a revolução de ideais, experiente, que sempre existiu e deu a cara para bater, viver, chupem suas chupetas caretas agora, batam o pé e esperneiem a qualquer hora, nós estamos aqui, não iremos cair, não agora que levantamos sem roupa, sem uma peça para esconder as genitais, pele ,carne,osso e nada mais. Fechem os olhos das crianças, tirem os idosos das calçadas, a sua pobre prole pode ficar assustada, não leia mais nada, não entre no quarto do seu filho sem bater, fuja pela escada ,de olhos fechados saia daqui, desculpe, eu não vou desistir de viver um amor para te ver sorrir.
Passo, novamente não paro, rio, não acredito, estão realmente tentando me foder, colocam-me no palanque , em cima do tablado, sou a sensação ambulante,fluorescente, iluminado do meio desse monte de seres apagados , debocho, estão mortos pelo peso do seu próprio pensamento, confundido por roupas estranhas e cabelos despenteados, numa menina sem saltos com unhas a fazer, sorrindo por quê? Não quero saber, continuo andando,de mãos dadas, rindo e pensando, são todos estranhos nos seus pequenos detalhes .
Enfim ,entro no meu ninho, onde me vi crescer, aprendi a respeitar meu semelhante,a ter paciência com os ignorantes, a não descriminar pela cor, a não recriminar um amor, ainda é pouco,muito insignificante,sinto- me mais do que nunca um extraterrestre distante de um mundo inabitado tão longe do padrão que me foram colocado,não era pra ser assim, sinto que essas roupas estão me apertando,incomodando, vou ficar nua na sua frente, será que assim resolve, eu fico diferente,menos indecente, do jeito que você quer me olhar. (M.Seba)

Ligo? (......) Desligo!

Ligo? (......) Desligo!

Ligo, desligo, não posso, não devo, escrevo páginas sem descrição, fecho os olhos, desejo, não vejo , converso com espelho, imploro e caio no chão, grito, decido, faço um abrigo no meio da minha mão, entro me fecho,aqui sou uma criança no peito, sem jeito, apenas querendo o leite que me é permitido, colo, juízo de um ombro amigo, palavras de um erudito ou de um simples tolo desconhecido, idéias pregadas, cravadas, passadas mas aceitas em vão por toda uma civilização. Você vem, acaba, destrói, me mata, toda uma ilusão em troca de suas risadas, assopra, não nota , desmorona, diz que não foi nada, me abraça, pede perdão, chora dores de outro coração, te envolvo, te coloco no abrigo das minhas mãos, fico do lado de fora, com frio, tremendo as dores do cândido descaso que me é colocado, enfiado com a ponta de um pena, sem pena, rasgando de ponta a ponta a pele queimada, assada, de tanto ficar ao relento , no sol, no vento, em troca do afronto de te ver de olhos fechados, deitados, sonhando sem receio de que eu possa te esmagar a qualquer momento, te engolir em uma só dentada, amargurada , com hálito da ressaca que eu tenho vivido durante seus momentos, perfeitos, como num livro de contos de fadas, no castelo inventado, construído pelo seu rosto suado, pedaços de trapos, colocados simetricamente, em detalhes calculados, comprados, modelados, obrigação sem o mínima presença do acaso,do delírio, alucinação, liberdade de expressão, contradição.
Volto a minha mão....Eu grito, miro,atiro ,não consigo, ,e ao fim estou com os dedos travados,congelados, sem reação, encarando minha própria mão,te vendo me olhar,pedindo mais uma vez perdão me tira daqui, eu quero voar, me deixa ali, não quero cair, enlouqueço,quero voltar para o berço, tomar mamadeira, ninar .Acordo, no pulo levanto, Ligo, desligo, não posso, não devo,por sorte mais um sol despenca, não agüenta, a lua tenta segurar, toma seu lugar, e fica reinando na cegueira da noite, pelas ruas, iluminando olhos verdes ou azuis, tanto faz, que pelas janelas abertas se deitam com medo da escuridão .Hei que um castelo magistral surge nas escondidas, rematado espetáculo, sem convite de entrada, a lua invade o palácio, e triste exibe, no palanque da cidade, corpos misturados, pernas e peitos pelados, batidos no liquidificador ,sem dor, embaralho de cartas, mentes viajantes, lugares distantes, o céu esta presente, apenas para uma mente, a outra acanhada,perturbada,olhando para os lados com as pernas arreganhadas,desgraça, a mente trabalha de graça, aonde estaria,com quem fazia, como dizia, o que sentia, porque a preocupação?por que não ficaste naquelas mãos, que te deixaste dormir em paz? Tentou fugir, virou ,se deparou novamente com os olhos de irmãos, puros e depravados, ao seu lado, prazer e desespero, seu reflexo complexo ali diante do seu amor dito eterno ,sagrado, intocável,mas agora acabado e trocado na cena clímax do desamor,traição de pensamentos, luxuria, volúpia, desejo, entre beijos e amassos, traíras memórias , momentos, historias, risadas, provocações inacabadas. Acaba, não fala, sente, não mente, goza, aaaaaaa.... se lambuza, enrolada em braços quentes porém falidos, é permitido , não é o gostoso do proibido, doce abrigo . Por isso desligo e não torno a ligar. (M.Seba)

Atração ,Amor e Paixão

Atração ,Amor e Paixão

Atração.....Poder de encantar ; fascínio ; tendência ou inclinação natural; pendor ; propensão...
Porque os opostos se atrairiam?
Se completariam em suas virtudes e defeitos?
Viveriam um vida de contradições ardis e discussões febris para manterem no lugar , essa desequilibrada balança de pratos?
Quem vos disse tal afirmação, no mínimo estaria vivendo uma louca paixão, onde por alguns momentos , o amor é eterno , superficialidade todo resto e o amado no pedestal colocado ,é carregado nas costas desse insano apaixonado.
Ah a paixão, um amor sem dar as mãos.
nas escuras, escondido , não há não ao proibido.
Ah a paixão ,atração descontrolada, forte ,covarde e pelada
como o amor sem seu vestido.
Passam dias , passam noites , passam meses de luar, o amor está contigo , do teu lado a chorar, a paixão desencanada paira sem vergonha, não tem distancia, não tem dia, não tem hora de ir embora
Quando vai deixa saudades, e se uma lagrima cair, sem ao menos esperar, não demore, não discorde, a paixão que era livre esta nas grades para amar.
O amor é o fruto da paixão, paixão essa controlada, já nos eixos comportada, que compreende, entende, respeita, não peita suas opiniões, ela aproveita, aprende, sempre descente, consciente para qualquer pé fora do chão, beijo na testa, carinho, frases de amor pedindo perdão, juntos, unidos, abraçados num só corpo, cúmplices , bandidos, fodidos no mesmo crime dessa louca ficção, vem o medo, neuroses, brigas, ciúmes, incansáveis discussões, e ao fim de cada dia, cabeças tensas, travesseiros molhados, um dia perdido e mil conquistados, barreiras temidas derrubadas, com a força de mãos unidas e cansadas, que continuam amigas, apreciando o por do sol de cada dia, a noite cai, o amor abraça, se entrelaça, e mais uma vez descansa, na sua doce manta, quente, que conforta, fria , desconhecida, que levanta e suicida e quem não sabe amar o amor que lhe está nas mãos.
A paixão não, ainda nova, jovem, independente , sorridente, largada, desejada , invejada por olhos soltos na multidão , louca, estranha, sem explicação, sem medo do não, vai, faz, não fala, sobe no muro e grita, esperneia, bate o pé, adolescente rebelde com um copo na mão, sem preocupação, dá com a cabeça no chão, levanta sorridente , sem um dente , se joga de novo ,disposição , vontade, sexo inocente, indecente, não se sabe o que se sente, só se sabe que é bom, bocas , cheiros, desejos, olhares, milhares de situações,permitidas, engolidas, partidos pedaços de outro coração, esquecido, abandonado, reprimido, incontrolável imantação, um beijo , um abraço, um choro, um descaso interminável, um oi seguido de um dito adeus eterno , um corpo inerte na pronuncia de um não, gostosa sensação, não negue a paixão, acaba no amor sem volta,ou volta? Mas se passa, passa sem olhar para trás , sem chorar, sem querer, sem deixar de esquecer aquela intensidade indiscreta de contravenção.
Atração amor e paixão, entrelaçadas, invisíveis, falam mudas em gestos, escutam quietas e riem, fazem e olham de perto , os dementes que as usam como inspiração, como as pudessem separá-las em alguns versos ou em um simples e discreto, não. (M.Seba)

Reflexo.

Reflexo.

Reflexo , imagem caracterizada pela realidade de outro ângulo.
Auto reflexo , imagem caracterizada pela realidade de outro ângulo, na qual,insistentemente, nossos próprios olhos não querem enxergar.
Reflita no seu reflexo , ele mostra, a cada instante ,o que é transmitido nesse outdoor ambulante errante que,sempre calado, não pára de falar.Quem sabe iremos conseguir escutar nosso auto reflexo,um dia ou por acaso, gritando do outro lado, esperneando sem parar. É difícil, somos tão auto-suficientes e prepotentes que nem para o próprio nariz queremos prestar mais atenção, o nariz escorrendo do vizinho é sempre muito mais interessante do que ficarmos nos olhando de vez em quando, encarando o demente na nossa frente, com cara de bobo procurando alguma explicação.
Mesmo com o nariz de palhaço, seu auto reflexo nunca deve ser subestimado,apesar de muitas vezes jogado de lado, te garanto, uma imagem vale mais do que mil explicações e se nós apenas abrirmos os olhos e nos encararmos por alguns segundos veremos que o obvio sempre está na nossa frente. (M.Seba)

Caixa de vidro.

Caixa de vidro.

Felicidade, razão da existência do ser humano, mas quem sabe o que é felicidade? Para ele, felicidade é ter bens materiais e viver uma vida de luxúria; para ela ,felicidade pode ser uma noite inesquecível a beira mar ou um jantar no melhor restaurante da cidade,mas ,certa vez ,ouvi algo que me fez parar e analisar, felicidade seria,simplesmente, estar em paz e harmonia consigo mesmo, seja como for e aonde estiver que estar. Se entrarmos nessa afirmação veremos que é exatamente isso, talvez ele se sinta completo com os bens materiais e ela com uma noite apenas. Particularmente,fico satisfeita em dizer que pra mim ainda é muito pouco, pois as mãos que estão aqui escrevendo ,neste momento, daqui a um tempo, ficarão , não resistindo a decomposição da matéria, mas o que me faz colocar cada palavra solta numa constituição de idéias bagunçadas levará milhares de anos para ser compreendidoe, sinceramente, eu torço para que isso não aconteça. Pessoas se contentam com tão pouco, vivem em situações que a própria sociedade as colocou, aceitam como se fosse um troféu que carregam nas costas e mal conseguem andar nem seguir com as próprias pernas, em troca de que? Não sei e não levarei toda minha mínima passagem por aqui para descobrir. O pior é que esSas mesmas pessoas ainda tem coragem de baterem no peito e dizerem alto e em bom tom, sem cogitar qualquer outra hipótese, a seguinte hostilidade: "eu sou feliz!" Uma frase com nível de dificuldade mínimo de ser pronunciada ,mas com um peso que poucos, muito poucos, conseguem carregar.
Às vezes ao analisar certas pessoas e situações ,que passam a cada dia pela minha vida, tenho a sensação de estar do lado de fora de um gigante aquário, onde posso ficar assistindo , de mãos atadas, o tempo suficiente que me faça querer fechar os olhos. Em alguns desses momentos , incansavelmente, tento bater no vidro para alertar quem estiver dormindo ,em plena luz do dia , que logo atrás tem alguém desejando um farto jantar de preguiçosos na noite que cairá. Inutilmente, pois nunca me dão muita atenção e o jantar sempre é servido com meus olhos fechados e mãos amarradas tentando ,sem êxito algum, atravessar o vidro. É ,realmente as pessoas se contentam com muito pouco, com um simples aquário, e cada vez mais ,a sensação de egoísmo de não compartilhar tal liberdade, ao mesmo tempo que me toma ,me faz achar que alguns de nós está , não no lugar errado, mas em momentos completamente distintos de evolução e de percepção, pois mesmo depois de toda essa reflexão , tenho a forte impressão que um dia já morei sim , numa imensa caixa de vidro , como essa que faz pose aos meus olhos agora, grande, bonita e convidativa , mas pra sair dela, lembro- me muito bem, tive que aprender a estar em paz ,tive que aprender a entrar em harmonia comigo ,tive que aprender a voar , mesmo estando em baixo d'agua. (M.Seba)

Comporte-se , Cuspa.

Comporte-se , Cuspa.

As más línguas criticam meu comportamento
Se espantam quando cuspo nessa hipocrisia banal
políticos sugando até o último milhão
nadando em piscinas de corrupção
bebendo o suor do trabalhador
esse que já nasce taxado de pecador
Padres, bispos , pastores..
Tudo igual!
Profissão?
especialistas em lavagem cerebral
Ah fieis ignorantes
o pouco que lhes restam são para compra de terras flutuantes
Fecho os olhos para tudo
Boto o pé na estrada pra bem longe daqui
Ih esqueci ,não tenho documentação,
sou menor de idade e está todo mundo doidão
Relaxa, dez minutos de ‘desenrolo’ e um galo na mão
Ninguém viu, nada aconteceu
Ninguém viu, mas morreu.
Mais um? Leia aí, bandido? ladrão?
Não minha senhora, crianças com o volante na mão
Meu Deus onde esse mundo vai parar?
entrarei na 1° igreja para fazer minha oração
Na televisão , programação interrompida.
Dois corpos estirados no chão.
Meu filho?
Não pode ser,
o dizimo estava na mão
Por que Deus fez isso comigo?
É a pergunta mais idiota e a que mais me revolta
Larguem a saia do todo poderoso
Será que não percebem que o problema está à nossa volta
Ah fieis ignorantes
não mudarei em função dos seus caprichos
e cuspindo continuarei
até que me joguem no lixo.
(M.Seba)

Chaves no bolso.

Chaves no bolso.

Feche os olhos como se fosse ganhar o presente que esperou o ano inteiro, ou o beijo daquela garotinha que você é apaixonado desde a primeira serie. É uma sensação única,inexplicável. Agora tranque - se num mundo seu, este lugar é você, e nada mais que isso,e neste instante, mais do que nunca, sem preocupação em fazer pose para os olhos alheios,agarre sua liberdade, pois seu mundo apartir do momento que você traçou não tem regras nem pudores, é totalmente sem limites, onde você é o único a ter a posse das chaves, e só será permitida a entrada daqueles que estiverem dispostos a pular o muro para estarem ao seu lado. Relaxe, divirta - se nos seus pensamentos,reflita. Lembre- se um ano tem no mínimo 365 dias, quantos desses você já viveu? 20,60, 100? e quantas vezes você tirou suas chaves do bolso? Quem sabe nenhuma.... quantas coisas já foram apagadas, e quantas nunca sairão da memória,talvez morrerão contigo e você ao menos tem consciência disso?
Tente se lembrar da metade das coisas que você já fez nessa vida.Humanamente impossível. Tente recordar em quantas loucuras você já se colocou para ter em troca aquele tão desejado sorriso. Milhares. Agora veja quantos amores você deixou passar por imaturidade ou até mesmo pelo insano medo de errar ,e quantos você jogou para o alto, juntamente com o anel que ocupava um dos seus dez dedos . Talvez alguns. Quantas pessoas fizeram e fazem parte da sua vida ou apenas passaram para dizer o que você precisava escutar naquele exato momento. Incontáveis. Quantas gargalhadas você já deixou escapar por alguma piadinha idiota de um amigo que não via a anos, e quantas vezes você chorou no ombro daquele que sempre esta disposto a te atender de madrugada para simplesmente te dizer que tudo vai dar certo .Muitas. Quantos, mas quantos baldes de lagrimas você já derramou nessa vida por ter perdido alguém querido ou pelo simples fato de ganhar um abraço no seu aniversario . Não foram poucos. Quantos dias você já quis sumir ,enfiar a cara na areia, o tempo suficiente para esquecerem dela,se isolar de qualquer contato humano, se entender e, simplesmente ,se conhecer , ou quantos você estava tão eufórico que quis fazer o impossível, virar o mundo de cabeça pra baixo ,subir ao palco e gritar ,para quem quisesse ouvir, que era a pessoa mais feliz do mundo. Todos, todos os dias,pois todos os dias ao acordamos temos nas mãos algo tão precioso e tratado com tanto descaso por muitos, que por vezes acho estar vangloriando demais tal situação que me colocaram, mas antes mesmo de encontrar qualquer resposta que me deixe dormir , consigo abrir os olhos ,mais uma vez de quantas desconhecidas por todos nós.Esse desconhecido enlouquece qualquer ser racional,fascinando a cada instante, e sem deixar rastros, todas as duvidas desaparecem em questão de segundos,Me desculpe mas apartir desse momento nenhuma futilidade mudará meu humor, nenhuma pessoa conseguirá me convencer a parar de colecionar momentos bons, ruins, que irão morrer comigo ou até mesmo que eu esqueça em poucos minutos, pois a vida, apesar de não ser todos os dias "aquele presente tão esperado" , é perfeita dependendo do ângulo que você esteja disposto a encará-la .Agora abra os olhos, tente se lembrar da metade das coisas que você fez nessa vida. Humanamente impossível, mas........... aquela garotinha e aquele beijo. (M.Seba)