Escrever (ê) v. intr. 1. Representar o pensamento por meio de caracteres. 2. Formar letras. v. tr. 3. Pôr ou dizer por escrito. 4. Encher de letras.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Arnette, Dezessete.

Arnette, Dezessete.

Arnette, quase dezessete, linda, loira, rica,usava trapos que ninguém entendia, se divertia, continuava linda, sonhava com o amor, em fugir de casa, em degustar a liberdade ,por inteira não a queria pela metade; apaixonada pela vida, não entendia porque insistiam em complicar, revoltada , fumava, bebia, usava de tudo que pudesse lhe transportar desse mundo, transtornada, a lucidez não resistia aos seus perdidos da sua perfeita e invejada realidade, berço de ouro, menina prometida; Arnete, ou nete, tinha amigos, e um carro roubado, as vezes beijava meninas, tinha um idiota de um namorado, um babaca babão, comia na sua mão, mas era o mais belo dos retardados. Seus pais, não imaginavam, queria que fosse doutora como toda família,tivesse filhos e fosse bem sucedida, como todos, ela seria igual, mais um, mas ela não disfarçava, a escola mal freqüentava, coitados, ouvia , ouvia, mas não aceitava aquela hipocrisia, ela nem tentava, um cala a boca não a calava, brigava, encarava a voz da sabedoria, e ria na cara dos que chamava de atraso de vida. Sentia-se aprisionada, amarrada , criativa, escrevia, escrevia, na calçada largada, no bar, no meio da avenida, já que nas redações era castrada, suas palavras eram rasgadas, ignoradas, suas cartas ao presidente da republica, sátiras da nossa política suja, e poemas de amor para os falecidos humanos, seus ídolos, mortos, soterrados por essa porcaria que tinham coragem de denominar vida, eram punidas. Arnete,fez dezessete , era seu dia, drogada, com tudo que conhecia, junto e misturado, no seu mundo paralelo, tacou fogo na escola, na boate, deu um show de rebolado, xingou quem ela queria, gastou tudo que podia, foi pra cama com seu irmão, de criação, mas era irmão, pra terminar, jogou todos seus pertences no caminhão de lixo, que por acaso passava ,naquela madrugada, com os dentes afiados, foi tudo esmagado. Estava nua, no meio da rua, entrou na igreja pedindo cerveja, mandou o padre confessar que seus seios eram lindos, diante dos fieis fez um brinde a Deus, todo poderoso, responsável por tudo e por todos, foi presa, sem uma peça de roupa, um ano de reformatório, depois as grades eram certas, contando piadas ao policial , ainda mastigando algumas hóstias, Arnette só implorou para não prendê-la em um escritório, queria cigarros, e bons livros, uma vodca qualquer hora, um caderno de mil folhas, e que a apagassem da memória. Namorado, família, amigos, não queria visitas, Tinha uma folha para cada dia da sua vida,era o necessário .Escreveu tudo em prosas e poesias , as palavras sincronizadas em linhas impecáveis, uma perfeita cartada, era talentosa, estaria rica, mas na ultima folha, seu ultimo dia, a agonia a tomava, a morte a excitava , o que estaria atrás das cortinas, cada palavra escrita nessa folha não rimava ,passado um ano, era um sinal, arnette no dia do seu aniversario se mata, e deixa bem claro , na ultima folha, num rascunho mal acabado : ”Arnete não passa dos dezessete, agradeçam e divirtam-se com suas milhões de décadas mendigas, pois com uma rima embabacada, e duas palavras assassinas, eu resumo em uma frase irônica , suas tão sonhadas vidas...Arnette, dezessete.” (M.Seba)

Nenhum comentário:

Postar um comentário