Terceiro Sinal.
Primeiro sinal, não há nada de mau, pessoas ainda se acomodando, dando uma espiada no ponteiro, luzes, perfumes se aglomerando em frente ao trapo gigante que apresentará em poucos segundos, o fim ou inicio do desespero ofegante atrás das cortinas desses loucos amantes da arte em ação .As mãos suam, aos poucos se entregam a perturbação do sistema nervoso aguçado, sem compaixão, fixado no que vem do outro lado, espiando, recebem mais um golpe de punhal, o Segundo sinal.Olho pra um lado ,para o outro e me dou conta, faço parte desse emaranhado de dementes, que fazem a vida tomar uma dimensão totalmente diferente dessa pobre realidade que temos nas mãos, que alivio.Por um momento esqueço toda aquela correria em passos lentos,não sei se levanto,não sei se sento, choro,rio ou se finjo ser normal. Mais uma espiada, cadeiras vazias agora todas corpulentas, cada uma com dois olhos que esperam atentos até o ultimo segundo de tormento, o espetáculo começar .Já sem luz, está tudo em nossas mãos, o som ecoa mais debochado do que nunca,sem muitas perguntas todos escutam ,o Terceiro sinal. Sinto todos os pêlos do meu corpo congelados, no figurino escolhido a dedo, lado a lado, numa fila de adrenalina fora do combinado. Sem tempo para pensar, olho em volta, não tem volta, a cortina está chegando, o que fazer agora? a pergunta se dissolve em segundos ,e antes que ela me atropele, encho o peito e mesmo ainda sem muito jeito me atiro e faço, me embolo , me entrelaço em roupas e cabelos fingidos, mas naquele tempo tão reais .Cadeiras andam como jamais andaram, falam, caladas não param de falar, eu juro,elas dançam a valsa no ritmo das cores, amores , ódios, discutem, severas não perdoam um pé fora do palanque.Estão tão próximas que roubam nas suas artimanhas sorrisos e encantos das cadeiras corpulentas ,que atentas, servem de combustível , o gás que nos sustenta ,em cima dessa loucura sem explicação . Saio ,entro, entro e saio,embaralho ensaiado, escondem as saias, num momento puxam o tapete e tiram a peruca, algo deu errado. Mesmo pelado não paro, olhares não perdoam, as luzes não escondem, mostram e apresentam a figura tão segura, que nua grita: _ Eu também sei jogar . E mesmo sem saltos mergulha na sua fantasia, nada sem um pé de sapato, mancando, passa por baixo da saia do acaso. Pois mesmo sem um bigode, a voz sempre explode dentro do peito, e tudo que foi martelado durante meses de trabalho, se despregam e fazem o gigante e monstruoso espetáculo acontecer.
A cortina fecha, é festa, o sanatório se abraça com toda força que não se acha em qualquer encenação. Um ser, já sem voz ,de cabelo em pé, com a insanidade a flor da pele, não se despede, fica de pé e ao mesmo tempo que grita, reclama, explode, quase pira, se levanta e aplaude, nada mais nada menos ,que o trabalho incessante de loucos, que juntos acreditam no, simples , complexo, insano nexo, poder da sua arte surtada.
(M.Seba)
terça-feira, 13 de abril de 2010
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