Boa Noite.
Em pleno nascer do sol estão todos dormindo, sob uma única sombra que desespera seus gritos, mudos, tão surdos esses ouvidos que precisam escutar, que precisam ver para acreditar. Vejo desde o principio desse suicídio, meu pais, meus filhos, todos caíram ao chão, pediram socorro e avisaram como loucos e a cada nascer do sol menos um, menos muitos respirando ao meu lado. Calados, lado a lado, vocês ai, continuam ignorando, estirados , continuam dormindo, fingindo, dormindo...
O sol agora está tão quente, vejo um mar de gente , se eu pudesse bebê-los para sentirem na pele como eu me sinto. Delirando, lembro-me da minha infância, colocaram-me bem pequena, cobriram-me com cuidado e me amamentaram, cresci entre tantas diferenças, tantas cores, tantas vidas, rodeada. E Agora? Tudo isso não é nada, não temos mais nada, está tudo tão vazio, nossas cores desbotadas, desaparecendo, nada disso mais importa, as gravatas que me rodeiam mataram suas próprias raízes com seus pés calçados, pisaram-nos com seus sapatos, e hoje veja o resultado, coloquemos na balança , olhem, vocês pagam com pessoas sua própria ignorância, o monstro que criaram está dormindo e só irá acordar quando eu fechar os olhos, e dar boa noite a este triste , previsto ,e desacreditado espetáculo.
Ele se Poe, está se despedindo e vocês continuam dormindo, uma pena, uma pena seus pequenos não poderem ver os meus ,pois seus venenos nos matarão antes mesmo disso tudo acabar. E quando acordarem, talvez tarde demais, me verão fraca e única, como me sinto agora sem nenhum pra compartilhar, sem nenhum pra me ver chorar. Estarei nas suas estantes, brilhantes, serei memória, farei historia, lembrança da santa ignorância dos pés que não podem andar descalços, que pisam e fazem buracos por onde passam. Estou caindo, sinto meus braços quebrarem no chão, no mesmo chão que vi o primeiro raio de luz, minha primeira respiração. Sinto dor por não ser a única, sinto dor pois sou mais uma , mais uma decapitada, mais uma jogada, destinada a um caminhão. Acabou, virarei folha de rabiscar em suas mãos, um conselho, empalhem-me agora, vou contar-lhes um segredo, desprezível revelação, eu sou a ultima, a ultima árvore, e vocês.... a ultima geração. (M.Seba)
terça-feira, 13 de abril de 2010
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