Ser Mãe.
Nos meus braços que eram livres
Um peso sobrepõe-se
Um sorriso sem os dentes
Anunciam um casto sonho
nos meus seios escalvados
num solene, doce choro
implora, sob forma de protesto
minha manta de retalhos
dar a vida pela vida
ser mãe, ser sua amiga
te ensinar a caminhar
ver suas mãos que eram frágeis,
pequenas desajeitadas,
de porcelana modelada
até punhos de aço
que me laçam, me abraçam
que me fazem sentir viva.
a cada pergunta embaraçada,
A sábia poesia,
não consegue mais rimar.
então choro,
como você um dia nos meus braços
ao te ver partir, com asas coloridas
aquarela de uma vida , pintadas a mão.
Despede-se, com o mesmo sorriso
que um dia se apresentou
doce, sereno, descobriu o amor
construiu seu ninho de folhas atapetadas
Os seus braços que eram livres
agora também prometidos.
Fita-me ainda com trabalhado sorriso,
Um ‘eu te amo’ nada discreto
torna completo o sonho de ser Mãe.
Você voa, voa, voa....
Não vai mais voltar
Você voa, voa ,voa....
Como eu te ensinei a voar.
(M.Seba)
terça-feira, 13 de abril de 2010
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