Monoblepsia.
Tão perto, voce ali, tão longe, você aqui. Passei a porta e me despedi, te vi sorrindo desesperada, as minhas mãos não disfarçavam, molhadas anunciavam o fim ou o inicio de uma longa, mais uma longa noite de gala. Luzes cegavam olhos, que como sempre ainda nos olhavam,todos observavam alguma gafe, algum detalhe, alguma falha. Padrões requintados, vestidos dançavam com ternos engravatados , e não paravam , não paravam de rodar, se abraçavam ,se comiam , faziam filhos no ar, enquanto eu não, apenas desfilava ao redor das suas curvas, apreciava a valsa dos malditos panos enrolados na sua cintura, como um bom cavalheiro não me atrevia a um centímetro a mais, era loucura. Instinto animal aprisionado, sua carne imantada me trazia para seu lado, bocas quase coladas por metros de distancia, pensamentos tão sujos divergiam de toda aquela elegância e os olhos? não paravam de nos olhar, todos observavam alguma gafe, algum detalhe, alguma falha no ar, nos fitavam , fotografavam movimentos, babavam excrementos das suas cabeças podres, que não entendiam e não faziam questão de nos ignorar. Eu ria, pois nossas bocas sorriam juntas e em direções opostas, nossos corpos valsavam no mesmo ritmo, um em cada canto do salão, tínhamos nossas energias reviradas, comandadas pela força de te ver sendo olhada por um dos babacas engravatados de terno na mão. Contava as horas, os ponteiros dormiam, eu podia jurar que eles não se mexiam, ou no maximo corriam invertidos.,era voce na minha frente, a hora indiferente, e todos aqueles olhos, indiscretos, querendo nos devorar. Uma pena, uma pena vestidos não poderem dançar juntos, seriam tão lindos, entrelaçados, uma covardia às pobres gravatas que num canto ficariam paradas, e não poderiam fazer nada, absolutamente nada. (M.Seba)
terça-feira, 13 de abril de 2010
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