Ligo? (......) Desligo!
Ligo, desligo, não posso, não devo, escrevo páginas sem descrição, fecho os olhos, desejo, não vejo , converso com espelho, imploro e caio no chão, grito, decido, faço um abrigo no meio da minha mão, entro me fecho,aqui sou uma criança no peito, sem jeito, apenas querendo o leite que me é permitido, colo, juízo de um ombro amigo, palavras de um erudito ou de um simples tolo desconhecido, idéias pregadas, cravadas, passadas mas aceitas em vão por toda uma civilização. Você vem, acaba, destrói, me mata, toda uma ilusão em troca de suas risadas, assopra, não nota , desmorona, diz que não foi nada, me abraça, pede perdão, chora dores de outro coração, te envolvo, te coloco no abrigo das minhas mãos, fico do lado de fora, com frio, tremendo as dores do cândido descaso que me é colocado, enfiado com a ponta de um pena, sem pena, rasgando de ponta a ponta a pele queimada, assada, de tanto ficar ao relento , no sol, no vento, em troca do afronto de te ver de olhos fechados, deitados, sonhando sem receio de que eu possa te esmagar a qualquer momento, te engolir em uma só dentada, amargurada , com hálito da ressaca que eu tenho vivido durante seus momentos, perfeitos, como num livro de contos de fadas, no castelo inventado, construído pelo seu rosto suado, pedaços de trapos, colocados simetricamente, em detalhes calculados, comprados, modelados, obrigação sem o mínima presença do acaso,do delírio, alucinação, liberdade de expressão, contradição.
Volto a minha mão....Eu grito, miro,atiro ,não consigo, ,e ao fim estou com os dedos travados,congelados, sem reação, encarando minha própria mão,te vendo me olhar,pedindo mais uma vez perdão me tira daqui, eu quero voar, me deixa ali, não quero cair, enlouqueço,quero voltar para o berço, tomar mamadeira, ninar .Acordo, no pulo levanto, Ligo, desligo, não posso, não devo,por sorte mais um sol despenca, não agüenta, a lua tenta segurar, toma seu lugar, e fica reinando na cegueira da noite, pelas ruas, iluminando olhos verdes ou azuis, tanto faz, que pelas janelas abertas se deitam com medo da escuridão .Hei que um castelo magistral surge nas escondidas, rematado espetáculo, sem convite de entrada, a lua invade o palácio, e triste exibe, no palanque da cidade, corpos misturados, pernas e peitos pelados, batidos no liquidificador ,sem dor, embaralho de cartas, mentes viajantes, lugares distantes, o céu esta presente, apenas para uma mente, a outra acanhada,perturbada,olhando para os lados com as pernas arreganhadas,desgraça, a mente trabalha de graça, aonde estaria,com quem fazia, como dizia, o que sentia, porque a preocupação?por que não ficaste naquelas mãos, que te deixaste dormir em paz? Tentou fugir, virou ,se deparou novamente com os olhos de irmãos, puros e depravados, ao seu lado, prazer e desespero, seu reflexo complexo ali diante do seu amor dito eterno ,sagrado, intocável,mas agora acabado e trocado na cena clímax do desamor,traição de pensamentos, luxuria, volúpia, desejo, entre beijos e amassos, traíras memórias , momentos, historias, risadas, provocações inacabadas. Acaba, não fala, sente, não mente, goza, aaaaaaa.... se lambuza, enrolada em braços quentes porém falidos, é permitido , não é o gostoso do proibido, doce abrigo . Por isso desligo e não torno a ligar. (M.Seba)
terça-feira, 13 de abril de 2010
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