Malandro de casca.
Fecho os olhos, não sonho.Abro os mesmos, não vejo. Finjo que escuto, que gosto, que gozo loucamente, mas a verdade é que , ultimamente, nada me abala, e tudo é tão pouco que já não me surpreende. Corro do certo e do incerto tão óbvio. Ojerizo quem chega a ponto de o pra sempre eternizar. Não quero utopias, quero somente poder sentir sem ter que tocar. Fazem-me o que lhes mostro, vivo então na malandragem, a malandragem dos olhos sem foco, que desfocados se enforcam, se matam e deixam viver , num palco, o teatro do invejado vagabundo que não chora. Mentira. Malandro chora, apesar de viver na malícia, de controlar seus próprios cordéis e de escolher os dedos dos anéis que irá colocar, ele chora. E por muitas vezes, implora para que não cedam aos seus cortejos e em seguinda dêem beijos apaixonados, disfarçados de descaso. E nesse caso, aí sim, malandro ou vagabundo, que nao tem fundo, como dizem por aí, nesse momento tem peito, e nele também bate o que a respeito de todo ser se debate, um coração incalculável, que diferente dos demais se acostumou a ficar calado. Por isso, mesmo quando ,enfim, o inexplicável se faz reinar e ele encontra-se apaixonado, sofre por não poder gritar, pois por tanto tempo foi obrigado a vestir sua fantasia , mascarado de malícia, um oco malandro idealizado é ,somente, o tão frágil malandro de casca.
(M.Seba)
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
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