Numa outra mesa de bar.
Dois amigos ,de infância, tenho certeza. Violão e cavaquinho se completam na harmonia mais perfeita. Se olham como se com algumas notas estivessem relembrando toda uma vida juntos.Não falam.Vivem esse momento sem uma gota de álcool e gozam o simples significado de uma presença ainda não descrita no dicionário. As cordas parecem tão amigas , conhecidas de anos, de vidas, e mesmo a idade maltratando-os, suas energias se reviram e não param. É tão gostoso, invejável de tão bonito, de tão sincero, mesmo que não seja nada disso,numa mesa de bar eles desesperam a quem pára para os apreciar . Eles dispensam todo cenário e vivem num mundo lacrado ,visivelmente, a mais pura amizade. Alguns poucos olham e passam, outros param não muitos segundos e , eles, sozinhos como eu, não dão a mínima , dão à tapa, suas caras..Eles riem de nada, e são tudo que precisam numa tarde de sábado. Um deles carrega uma boina descombinada com uma camisa de botão , seus olhos,quase que, constantemente fechados não olham ,mas sentem na sua frente,um outro, com uma careca maltratada pelo tempo e um sorriso que, desatento, não se encontra em qualquer esquina , não se pode ser comprado. Levam nada menos que um samba de 1953, 1954 ... bons tempos eles dizem: ‘não te vejo em qualquer lugar’ e à essas musicas, se declaram , se embalam, se reconhecem, e fazem merecer seus próprios poucos trocados . Um mundo deles, ninguém entra e ninguém sai, nem eu sinto por inteiro, só escrevo o que me deixam notar quando notas escapam e ,serenas, ficam no ar. Meu ultimo gole de cerveja ,já quente, me diz agora que esse vazio ao meu lado deveria estar ocupado. Sozinha ouço, vejo, viajo, bem longe, desejo e não choro, também rio como eles, pois o que eu vejo , também vivo, e mesmo que nesse momento não possa se sentar na cadeira , tenho certeza que ela está do meu lado, disfarçada de vazio, escutando o mesmo samba e brindando mais uma cerveja, jurando outra vez ,ser este o nosso ultimo cigarro.
(M.Seba)
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Uma certeza inconsciente.
Uma certeza inconsciente.
São seis da manhã. Me aceite!
Não, não aceito! é tudo uma grande mentira! E ainda rio de você pobre sonhador estagnado no seu mundo de utopias mal contadas, não aceito, não lhe dou o braço a torcer, sempre foi assim meu senhor. Não insista.
São dez da manhã. Por favor, não me negue.
Não irei mais ouvir voz essa que me contradiz, me dizendo que tenho que ser bobo por uma causa sem explicação, não tenho tempo para isso. Gostei sim, mas foi passado acredite, hoje gosto de outras mãos e amanhã, mais delas sobre as minhas surgirão.
São duas horas da tarde. Não minta para si, não me peça que acredite nas suas falsas verdades.Apague esse cigarro sobre suas conversas fiadas. Suba lá e me aceite!
Agora você realmente me convenceu. Não apagarei meu cigarro, e acenderei um atrás do outro sem parar , não sobre minhas histórias, mas sobre memórias que hei de contar com o mesmo sorriso sarcástico que subirei agora nesse altar. Serei irônico para te satisfazer, então quer que eu aceite? Não me mate de rir, ainda tenho muito pra respirar, vamos olhe para mim! Eu não nasci para ter linhas marcadas, minha vida gira mais rápido que suas pérfidas palavras. Eu...
Cale a boca. São cinco horas. Olhe para ela e me negue agora!
São os olhos mais estúpidos que eu já vi. São os mais lindos. De joelhos fico diante da maior falta de perfeição, pois perfeito é descritível e isso não pode ser traduzido, é real, não uma simples idealização de livros, é sincero, eu sinto, é meu, estou certo.
São nove horas. Está vendo? Aceite-me seu idiota . Olhe,você está babando com seus sentimentos nus na frente de toda uma multidão, o que está esperando?
Realmente estou nu, e sinto todas as partes do meu corpo babando , vibram ao som que bombeia cada segundo , não espero mais nada, e ‘nada’ nada representa agora. ‘Tudo’ se revela a única palavra a ser dita. Ela me ouve, me fala, me entende, me vê, me quer, me olha e me prende sem deixar escapar uma única palavra...
Você tem cinco minutos. O outro dia está chegando. Esta é minha ultima súplica, não me faça te machucar.
Não! É tudo mentira!
Dois minutos.
Quer dizer...
Meia - Noite. Tarde demais.
Não , nao vá!
Nasce outro dia.
E mais um.
E mais outro.
Outro...
E então ... já somos outros, não somos nem muito nem pouco, somente outros, irreconhecíveis.
Te olho agora depois de tanto tempo e vejo que ao correr me fiz um estúpido - que descoberta fantástica, sua vez de ser sarcástica, tudo bem.
Fiz jus ao mundo mas não a mim, aprendi a não acreditar num amor que foi desacreditado ,pois quando ele diz que machuca, é mentira, ele destroi e ri de quem o negou, sem pena, fazendo lembrar sempre que possível daquele cigarro que, por algum motivo imaturo, não foi apagado.
São seis da manhã. Me aceite!
Não, não aceito! é tudo uma grande mentira! E ainda rio de você pobre sonhador estagnado no seu mundo de utopias mal contadas, não aceito, não lhe dou o braço a torcer, sempre foi assim meu senhor. Não insista.
São dez da manhã. Por favor, não me negue.
Não irei mais ouvir voz essa que me contradiz, me dizendo que tenho que ser bobo por uma causa sem explicação, não tenho tempo para isso. Gostei sim, mas foi passado acredite, hoje gosto de outras mãos e amanhã, mais delas sobre as minhas surgirão.
São duas horas da tarde. Não minta para si, não me peça que acredite nas suas falsas verdades.Apague esse cigarro sobre suas conversas fiadas. Suba lá e me aceite!
Agora você realmente me convenceu. Não apagarei meu cigarro, e acenderei um atrás do outro sem parar , não sobre minhas histórias, mas sobre memórias que hei de contar com o mesmo sorriso sarcástico que subirei agora nesse altar. Serei irônico para te satisfazer, então quer que eu aceite? Não me mate de rir, ainda tenho muito pra respirar, vamos olhe para mim! Eu não nasci para ter linhas marcadas, minha vida gira mais rápido que suas pérfidas palavras. Eu...
Cale a boca. São cinco horas. Olhe para ela e me negue agora!
São os olhos mais estúpidos que eu já vi. São os mais lindos. De joelhos fico diante da maior falta de perfeição, pois perfeito é descritível e isso não pode ser traduzido, é real, não uma simples idealização de livros, é sincero, eu sinto, é meu, estou certo.
São nove horas. Está vendo? Aceite-me seu idiota . Olhe,você está babando com seus sentimentos nus na frente de toda uma multidão, o que está esperando?
Realmente estou nu, e sinto todas as partes do meu corpo babando , vibram ao som que bombeia cada segundo , não espero mais nada, e ‘nada’ nada representa agora. ‘Tudo’ se revela a única palavra a ser dita. Ela me ouve, me fala, me entende, me vê, me quer, me olha e me prende sem deixar escapar uma única palavra...
Você tem cinco minutos. O outro dia está chegando. Esta é minha ultima súplica, não me faça te machucar.
Não! É tudo mentira!
Dois minutos.
Quer dizer...
Meia - Noite. Tarde demais.
Não , nao vá!
Nasce outro dia.
E mais um.
E mais outro.
Outro...
E então ... já somos outros, não somos nem muito nem pouco, somente outros, irreconhecíveis.
Te olho agora depois de tanto tempo e vejo que ao correr me fiz um estúpido - que descoberta fantástica, sua vez de ser sarcástica, tudo bem.
Fiz jus ao mundo mas não a mim, aprendi a não acreditar num amor que foi desacreditado ,pois quando ele diz que machuca, é mentira, ele destroi e ri de quem o negou, sem pena, fazendo lembrar sempre que possível daquele cigarro que, por algum motivo imaturo, não foi apagado.
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