Último Gole.
Arrancaram-me os braços ,levaram minhas pernas, preferia não ver, mas deixaram-me um olho,apenas um, tiraram minhas roupas , fui vendido a pouco , sinto-me sozinho, jogado de cara no fundo de um poço. Mãe ,não só te ouvi como ignorei, diga ao papai que não voltarei, não adianta me bater,não reajo a soco nem tapa na cara, não sei se respiro ou se choro meu vicio, não sei se choro ou se apenas me viro ;A centímetros, jogado no lixo, vejo-te ,não, não quero te ver , não aqui, meu amigo perdoa-me, eu sei que consegue sentir o mesmo ar que me degrada, destrói-me , tiram-me as palavras que pouco importam quando estou do teu lado; Olha-me, não fala, e me diz o que sempre me disse, me diz que isso tudo não esta existindo, fica comigo,sei lá, te conto uma historia,melhor, te dou minha memória, não consigo falar; Vejo-te tão perto, tão longe de mim, lembranças alcançam-me, matam-me , esganam-me , torturam-me seus olhos fechando implorando-me ajuda, sem braços ,sem pernas ,no meus pensamentos, abraço-te sozinho, só posso te ver por alguns, mais, segundos , num ultimo olhar vou tentar te dizer o quanto eu sou burro, o quanto eu te amo, o quanto eu suplico não ter que te ver, Partindo, diante e antes de mim, lembrando do nosso ultimo brinde, nosso ultimo gole, nossa ultima cena, pequena ,sem volta, de cara num poste.
sexta-feira, 7 de maio de 2010
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