Play
Rolos,rolos, revira, poeira, são muitos de uma vida, caixas empilhadas, reviradas entre o fim e o começo, algumas embrulhadas, outras massacradas, caixas abertas, fechadas, lacradas,algumas reconheço, reviro caixas. Acho entre muitas, ela. É essa a caixa que guarda o mais novo filme da minha vida. Desembrulho como um recém-nascido saindo das minhas entranhas, tem cheiro de tesão no ar, descontrole, loucura com perda de sentidos, acho que era esse o cheiro que não sentia fazia algum tempo. Como num santuário ,ponho num grande maquinário o que aos poucos das minhas mãos se distancia, as luzes não se fazem presentes e no breu dos meus pensamentos transbordando de vazios curiosos não penso, não paro, respiro, sei que cedo ou tarde as luzes se acenderão, não penso, não paro, respiro, Play. É como um sonho invadindo a realidade tão obscura, é uma viagem em si com volta e sem aviso prévio. É uma grande bolha de sabão que cresce a cada assopro e estoura por nossa insaciabilidade de querer vê-la cada vez maior. Os olhos brilham, as mãos suam grudadas ao corpo que quase entra na tela, a cada cena os olhos engolem a próxima frase ainda inexistente, a cabeça se deixa invadir, iludir, cria o elo de uma história ainda não contada. O tempo passa, o corpo se aquieta na cadeira, as frases continuam porém os olhos satisfeitos se aquietam na cabeça, fraqueza. O tempo passa, o corpo deita, o tempo mata, os olhos caem, rolos,rolos,rolam, as mãos inquietam procuram o que comer, a luz acende, caio na realidade obscura iluminada na minha frente, de repente tudo acaba, choro, grito, choro mais, esperneio feito criança por um por quê, o final é uma incógnita imposta, embrulho com carinho e coloco no canto, fico olhando por horas, dias, meses o embrulho violado no fundo do quarto, ele se mistura com lacres apertados e caixas amassadas, ainda faltam tantas , me pergunto porque depois de tudo ainda insisto em revirar todas essas caixas, e somente abrir as malditas caixas lacradas.
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
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