Almofada de Cetim
O sol me acorda, com um tapa na cara, levanto triturado, todos os ossos desossados, vôo de calçada em calçada, desvio de grandes motores, brinco entre os odores de um beco abandonado, sinto que estou vivo, peripécias e cheiros fortes confirmam-me liberdade, sem cordas, sem acordes, reviro-me dentre restos, saboreio-me num banquete , são finos filetes, as minhas costelas sobressaltas. Salto, assalto, no asfalto, na calçada, sou feliz, não tenho roupas, sapatos, e nem hora de mijada. Barriga para o alto, nem cheia , nem vazia, nem farta, nem mendiga, desespero, alegria, sou modelo de piada,mesmo assim eu me distraio, vadiando vagabundo, minha vida moribunda, pára e a vê passar, visão estimulante , uma dama de madame, tosada, perfumada, a essência merecida do mais caro elogio, do mais caro descarado. Peito estufado, estirpe elegante, faço-me o melhor da sua nobre linhagem, ladro sem medo e ,simplesmente, dou de cara na calçada, não me nota, desmonta o pobre vira-lata, na lata, sem dó, tão cedo; Nao me desfaço, tenho o cheiro da caça notável na boca, carência de pelos, muito pouco, intercalados, não me nota de novo, que tolo, tão obvio o seu olhar, descrevem-me claramente sua almofada de cetim , recolho-me, enrolo-me e escondo-me , no conforto do meu papelão tímido num cantinho amassado, ela desvia e a deixo passar; ignorância, santa ignorância, a dama quer no mínimo uma cama pra deitar ,infeliz, você só tem a elegância de um cavalheiro nato, e para lhe oferecer, um pedaço de asfalto, e nada mais. Volto com minha barriga para o alto, e ela para o topo dos meus vagabundos sonhos de um rico vira-lata que não se cansa de sonhar.
quarta-feira, 28 de abril de 2010
domingo, 18 de abril de 2010
O tolo de Sófocles.
O tolo de Sófocles.
Batem na porta, mas isso são horas? Ainda babo no lençol com a boca amassada, ainda nem vi a cara do sol, desfigurado, tenho preguiça de me levantar, não agüento ter que falar, dizer, contar, fazer , quero comer de boca aberta ,rindo, sem talheres, com a mão, quero dizer não. Quer dizer, não quero nem falar. Batem na porta, mas como me acharam ? Finjo que não escuto, me faço desentendido, Não vou atender, não vou lhe dizer que eu não estou, não quero nem ver o que me restou desde a ultima vez que esteve aqui, por favor não insista, não te conheço, minto pra mim mesmo, reviro o lençol, peço ajuda a todos os santos que conheço, fecho os olhos. Batem na porta, será que não vão embora!? quero continuar nu, não quero encolher a barriga , cordas de outra vida não vão me prender no chão, quero dormir, acordar e beber uma vodca no meu desjejum, não quero ter nenhum, nenhum presente pra comprar, nenhum futuro pra pensar, nenhum plano pra fazer, não quero casa pra morar, faria agora um plano de fuga, ai se eu pudesse te vencer, ignorar suas batidas pulsadas na porta, elas me derrotam, me colocam no chão, de lado, de quatro, me cospem , me comem, depois de tantos tapas ,me fazem levantar com um sorriso na cara, me levam até a porta e sem olhar quem está lá fora, abro, me deparo, não consigo, não posso, desaprendi a correr, então... o faço entrar; Agora acabou meu sossego, sinta-se a vontade, eu digo sem nenhum desespero, não repare, proprietário da casa, sem medo ,eu quero, eu vejo,com cara de bobo, tolo, muito tolo, no tapete vermelho, eu deixo, certo do que eu quero, com insana clareza , o amor entrar e deitar no meu travesseiro. (M.Seba)
Batem na porta, mas isso são horas? Ainda babo no lençol com a boca amassada, ainda nem vi a cara do sol, desfigurado, tenho preguiça de me levantar, não agüento ter que falar, dizer, contar, fazer , quero comer de boca aberta ,rindo, sem talheres, com a mão, quero dizer não. Quer dizer, não quero nem falar. Batem na porta, mas como me acharam ? Finjo que não escuto, me faço desentendido, Não vou atender, não vou lhe dizer que eu não estou, não quero nem ver o que me restou desde a ultima vez que esteve aqui, por favor não insista, não te conheço, minto pra mim mesmo, reviro o lençol, peço ajuda a todos os santos que conheço, fecho os olhos. Batem na porta, será que não vão embora!? quero continuar nu, não quero encolher a barriga , cordas de outra vida não vão me prender no chão, quero dormir, acordar e beber uma vodca no meu desjejum, não quero ter nenhum, nenhum presente pra comprar, nenhum futuro pra pensar, nenhum plano pra fazer, não quero casa pra morar, faria agora um plano de fuga, ai se eu pudesse te vencer, ignorar suas batidas pulsadas na porta, elas me derrotam, me colocam no chão, de lado, de quatro, me cospem , me comem, depois de tantos tapas ,me fazem levantar com um sorriso na cara, me levam até a porta e sem olhar quem está lá fora, abro, me deparo, não consigo, não posso, desaprendi a correr, então... o faço entrar; Agora acabou meu sossego, sinta-se a vontade, eu digo sem nenhum desespero, não repare, proprietário da casa, sem medo ,eu quero, eu vejo,com cara de bobo, tolo, muito tolo, no tapete vermelho, eu deixo, certo do que eu quero, com insana clareza , o amor entrar e deitar no meu travesseiro. (M.Seba)
terça-feira, 13 de abril de 2010
Saudades.
Saudades.
As vezes, sempre, sem pensar, passa. Passa alguém na minha frente, passa uma musica no ar, passa alguém correndo, passam pessoas dizendo que eu chego lá, mas lá aonde? Aonde mesmo queremos chegar? Pra onde nós vamos? Pra quem estamos mentindo? E o que estamos levando, seja lá pra onde for? É estranho se perder de alguém que te encontrou, é estranho não saber muitas vezes pra onde vamos, mesmo que não seja para o mesmo lado, um dia estivemos lado a lado, mesmo que estivéssemos separados por milhões de contradições, estávamos sentados, fazendo nossas próprias e únicas “orações” ,que somente nós podemos nos explicar. Hoje nos sentamos tão longe, talvez palavras mal ditas nos mataram, talvez visões bem distintas acomodaram-se , e as vezes, sempre, sem pensar, passa alguém na minha frente, e me faz lembrar que jurávamos que não íamos passar. Engraçado como você foi uma peça única e diferente que se encaixou por simplesmente desencaixar, que ficou, e mesmo que longe, está guardado comigo, fomos amigos, e não sei se sou eu, se é você, ou o tempo , que vai confirmar, negar, ou morrer de rir de nós dois, as vezes, sempre, agindo sem pensar. (M.Seba)
As vezes, sempre, sem pensar, passa. Passa alguém na minha frente, passa uma musica no ar, passa alguém correndo, passam pessoas dizendo que eu chego lá, mas lá aonde? Aonde mesmo queremos chegar? Pra onde nós vamos? Pra quem estamos mentindo? E o que estamos levando, seja lá pra onde for? É estranho se perder de alguém que te encontrou, é estranho não saber muitas vezes pra onde vamos, mesmo que não seja para o mesmo lado, um dia estivemos lado a lado, mesmo que estivéssemos separados por milhões de contradições, estávamos sentados, fazendo nossas próprias e únicas “orações” ,que somente nós podemos nos explicar. Hoje nos sentamos tão longe, talvez palavras mal ditas nos mataram, talvez visões bem distintas acomodaram-se , e as vezes, sempre, sem pensar, passa alguém na minha frente, e me faz lembrar que jurávamos que não íamos passar. Engraçado como você foi uma peça única e diferente que se encaixou por simplesmente desencaixar, que ficou, e mesmo que longe, está guardado comigo, fomos amigos, e não sei se sou eu, se é você, ou o tempo , que vai confirmar, negar, ou morrer de rir de nós dois, as vezes, sempre, agindo sem pensar. (M.Seba)
Boa Noite.
Boa Noite.
Em pleno nascer do sol estão todos dormindo, sob uma única sombra que desespera seus gritos, mudos, tão surdos esses ouvidos que precisam escutar, que precisam ver para acreditar. Vejo desde o principio desse suicídio, meu pais, meus filhos, todos caíram ao chão, pediram socorro e avisaram como loucos e a cada nascer do sol menos um, menos muitos respirando ao meu lado. Calados, lado a lado, vocês ai, continuam ignorando, estirados , continuam dormindo, fingindo, dormindo...
O sol agora está tão quente, vejo um mar de gente , se eu pudesse bebê-los para sentirem na pele como eu me sinto. Delirando, lembro-me da minha infância, colocaram-me bem pequena, cobriram-me com cuidado e me amamentaram, cresci entre tantas diferenças, tantas cores, tantas vidas, rodeada. E Agora? Tudo isso não é nada, não temos mais nada, está tudo tão vazio, nossas cores desbotadas, desaparecendo, nada disso mais importa, as gravatas que me rodeiam mataram suas próprias raízes com seus pés calçados, pisaram-nos com seus sapatos, e hoje veja o resultado, coloquemos na balança , olhem, vocês pagam com pessoas sua própria ignorância, o monstro que criaram está dormindo e só irá acordar quando eu fechar os olhos, e dar boa noite a este triste , previsto ,e desacreditado espetáculo.
Ele se Poe, está se despedindo e vocês continuam dormindo, uma pena, uma pena seus pequenos não poderem ver os meus ,pois seus venenos nos matarão antes mesmo disso tudo acabar. E quando acordarem, talvez tarde demais, me verão fraca e única, como me sinto agora sem nenhum pra compartilhar, sem nenhum pra me ver chorar. Estarei nas suas estantes, brilhantes, serei memória, farei historia, lembrança da santa ignorância dos pés que não podem andar descalços, que pisam e fazem buracos por onde passam. Estou caindo, sinto meus braços quebrarem no chão, no mesmo chão que vi o primeiro raio de luz, minha primeira respiração. Sinto dor por não ser a única, sinto dor pois sou mais uma , mais uma decapitada, mais uma jogada, destinada a um caminhão. Acabou, virarei folha de rabiscar em suas mãos, um conselho, empalhem-me agora, vou contar-lhes um segredo, desprezível revelação, eu sou a ultima, a ultima árvore, e vocês.... a ultima geração. (M.Seba)
Em pleno nascer do sol estão todos dormindo, sob uma única sombra que desespera seus gritos, mudos, tão surdos esses ouvidos que precisam escutar, que precisam ver para acreditar. Vejo desde o principio desse suicídio, meu pais, meus filhos, todos caíram ao chão, pediram socorro e avisaram como loucos e a cada nascer do sol menos um, menos muitos respirando ao meu lado. Calados, lado a lado, vocês ai, continuam ignorando, estirados , continuam dormindo, fingindo, dormindo...
O sol agora está tão quente, vejo um mar de gente , se eu pudesse bebê-los para sentirem na pele como eu me sinto. Delirando, lembro-me da minha infância, colocaram-me bem pequena, cobriram-me com cuidado e me amamentaram, cresci entre tantas diferenças, tantas cores, tantas vidas, rodeada. E Agora? Tudo isso não é nada, não temos mais nada, está tudo tão vazio, nossas cores desbotadas, desaparecendo, nada disso mais importa, as gravatas que me rodeiam mataram suas próprias raízes com seus pés calçados, pisaram-nos com seus sapatos, e hoje veja o resultado, coloquemos na balança , olhem, vocês pagam com pessoas sua própria ignorância, o monstro que criaram está dormindo e só irá acordar quando eu fechar os olhos, e dar boa noite a este triste , previsto ,e desacreditado espetáculo.
Ele se Poe, está se despedindo e vocês continuam dormindo, uma pena, uma pena seus pequenos não poderem ver os meus ,pois seus venenos nos matarão antes mesmo disso tudo acabar. E quando acordarem, talvez tarde demais, me verão fraca e única, como me sinto agora sem nenhum pra compartilhar, sem nenhum pra me ver chorar. Estarei nas suas estantes, brilhantes, serei memória, farei historia, lembrança da santa ignorância dos pés que não podem andar descalços, que pisam e fazem buracos por onde passam. Estou caindo, sinto meus braços quebrarem no chão, no mesmo chão que vi o primeiro raio de luz, minha primeira respiração. Sinto dor por não ser a única, sinto dor pois sou mais uma , mais uma decapitada, mais uma jogada, destinada a um caminhão. Acabou, virarei folha de rabiscar em suas mãos, um conselho, empalhem-me agora, vou contar-lhes um segredo, desprezível revelação, eu sou a ultima, a ultima árvore, e vocês.... a ultima geração. (M.Seba)
Mesa de Bar.
Mesa de Bar.
É aí que eu esqueço...
Esqueço do mundo,da inflação
Da Terra girando,
e que eu to sem um puto
Esqueço da hora,
Esqueço do tempo, da guerra lá fora
de quem ta me ligando
Esqueço quem eu sou ,
que meu time jogou
que meu cheque bateu ,
e que já nos beijamos,
Esqueço meus medos, de criança
Nossos cigarros acesos, são lembranças
Em dia de chuva, não vejo
esqueço da lua, e desejo...
Esqueço da fome, crianças na rua,
da pobre cultura que presenciamos
Esqueço quem nunca errou, confesso
Esqueço quem nunca amou, desprezo
Poetas , músicos, juntos
Mostram que a vida não passa de um show
guitarras e papeis lado a lado, de pé
numa viagem sem rumo , sem trilha
Esqueço da dor de cabeça, não choro,
Esqueço do frio na barriga, me jogo,
E ao som de lulu santos,
ou um samba de cartola, eu rio,
pois mais uma vez, esqueço da vida
Esqueço de tudo, e grito,
Rio dos supremos, tão alto
dos poderes, direitos,deveres,
Não tem trono, não tem rei
Esqueço das regras,
Esqueço das leis,
Tenho um ombro amigo, deito,
Contigo, não preciso de nada ,
Esqueço do frio, num abraço,
Esqueço que já é hora de voltar pra casa,
Mas antes de ir embora, não fale
Esqueça de tudo, não lembre de nada,
deguste comigo apenas um segundo, ou mais
Sacie o desejo de viver em outro mundo, a paz
um brinde,
Antes de qualquer ultima golada,
Às drogas das nossas vidas perfeitas e cruzadas.
Não esqueçamos disso por nada.
(M.Seba)
É aí que eu esqueço...
Esqueço do mundo,da inflação
Da Terra girando,
e que eu to sem um puto
Esqueço da hora,
Esqueço do tempo, da guerra lá fora
de quem ta me ligando
Esqueço quem eu sou ,
que meu time jogou
que meu cheque bateu ,
e que já nos beijamos,
Esqueço meus medos, de criança
Nossos cigarros acesos, são lembranças
Em dia de chuva, não vejo
esqueço da lua, e desejo...
Esqueço da fome, crianças na rua,
da pobre cultura que presenciamos
Esqueço quem nunca errou, confesso
Esqueço quem nunca amou, desprezo
Poetas , músicos, juntos
Mostram que a vida não passa de um show
guitarras e papeis lado a lado, de pé
numa viagem sem rumo , sem trilha
Esqueço da dor de cabeça, não choro,
Esqueço do frio na barriga, me jogo,
E ao som de lulu santos,
ou um samba de cartola, eu rio,
pois mais uma vez, esqueço da vida
Esqueço de tudo, e grito,
Rio dos supremos, tão alto
dos poderes, direitos,deveres,
Não tem trono, não tem rei
Esqueço das regras,
Esqueço das leis,
Tenho um ombro amigo, deito,
Contigo, não preciso de nada ,
Esqueço do frio, num abraço,
Esqueço que já é hora de voltar pra casa,
Mas antes de ir embora, não fale
Esqueça de tudo, não lembre de nada,
deguste comigo apenas um segundo, ou mais
Sacie o desejo de viver em outro mundo, a paz
um brinde,
Antes de qualquer ultima golada,
Às drogas das nossas vidas perfeitas e cruzadas.
Não esqueçamos disso por nada.
(M.Seba)
Sentido.
Sentido.
O primeiro raio de luz era desenhado, pintado como o mais belo dos quadros de uma exposição.O primeiro raio de luz era ela, simplesmente nua, de costas na minha direção.Ela só queria pegar uma roupa que a deixasse menos covarde aos olhos humanos, manipulava movimentos nada castos nas gavetas altas daquele comedor de sonhos, maldito armário, traidor daquele lindo cenário, onde estariam suas gavetas no chão? . Imaginava ela de quatro, abrindo e fechando as gavetas em baixo,mas em questão de segundos, passei do claro ao borrão, ela percebeu minha inquietação e se enrolou na toalha, fingi dispersão e fechei os olhos, ela se foi.
Acordei, meu dia começou, o café da manha já havia tomado, tomei-a em goles curtos logo pela manha, saboreei –a devorando com o único dos meus cinco sentidos que me era permitido, agradecia a magia da visão. Ainda deitada, enrolada, falava olhando para uma brecha na parede, aquela bolota de luz ainda babava no meu cobertor, sol vagabundo ainda não havia acordado, mas naquele dia eu lhe perdoei, o senhor sol estava perdoado, ele me acordou com um banho quente, os meus dedos congelados derreteram de repente, e debaixo de um lençol fino peguei fogo em movimentos circulares que não cansavam de tocar a carne - O único pedaço de carne do corpo que me dava prazer, que inferno, lembrava você, me invadira aquele dia, eu tinha idade mas tão pouca vida, eu sempre senti, sempre te vi nos meus sonhos mais sujos, meus desejos mais escondidos, você estava lá gritando meu nome, gozando a fome, não tinha lugar, não tinha hora - e ao mesmo tempo que me saciava, lembro-me ter implorado ajuda para não cometer mais um pecado, havia jurado de joelhos no chão, dizia não e,simultaneamente, gozava aquela gostosa sensação. Molhei todo lençol e a única testemunha desse crime era o sol que ,enfim, acordava .
Levantei. Pernas bambas, caminhei até a porta, derrota , ela veio na minha direção. Sem pedir licença, veio desfilando, lá se foi meu juramento, meu raciocínio? Lamentei por ainda não ser imortal para pensar em algo santo no momento. Fluorescente em um corredor escuro, iluminou as paredes obscuras, estava despida em seus trajes traíras que não escondiam nenhuma curva de toda sua perfeição. Me olhou, como se meu corpo não passasse de mais um bloco de concreto, igual a todo resto que ela já tinha desabado ao passar do banheiro ao quarto. Meu olfato me traia mais do que aquelas roupas fingidas que tentavam enganá-la; Seu cheiro custava tão caro a minha frágil memória, seu cheiro me transportava de um corredor a uma velha história, que ela me contara quando eu ainda não via lagrimas numa aliança, não chorava,e ria do amor como se ele nunca fosse o odor que eu fosse respirar. Respirei, mas respirei tão fundo que senti o doce do ar desintegrando alguns pedaços de mim que ainda me restavam. Então passei do ser vivo ao concreto, estava completa minha transformação, ela se atreveu a alguns milímetros de minha cintura gelada, congelada no vapor dos seus dedos borbulhando de vontade de comer meu corpo. Fome, esse era o nome da boca de cada dedo que descia, com malicia para me devorar, ela também possuía os cinco sentidos, mas preferiu usar o que naquele instante não era permitido, senti ,então, o tato. Fui do céu ao inferno num toque patético se fora daquele circo de epiléticos. Abri os olhos, e depois de degustar a sensação sublime do sexo imaginário, estava sozinha, lembro-me de detalhes, encostada na parede, a audição era a rede que me levou a acreditar que a dois passos ela se lambuzava em amassos indiscretos que entraram direto na minha imaginação.Pêlos, ela lidava com pêlos, músculos, falta de peitos, e algo entre as pernas que não me atraiam pelo menos nessa encarnação. Ela se lambuzava, enquanto eu, estática, chorava, era um homem, um homem em minha casa fazia-me chorar, eu o amava, e ele me tomava o que por falta de lei não era meu. Ela o amava e tomava-o com uma eterna aliança na mão esquerda .Eles eram marido e mulher, e eu deixara de ser criança, por aquela mesma, aquela mesma mulher. Corri, entrei no quarto e queria voltar a posição fetal, o gosto amargo daquela raiva matinal, passei a tarde me torturando, enforcando meus desejos com meus próprios dedos, me tocava, me sentia e me lambuzava sozinha, a passagem da vida no meu corpo de mulher parecia ganhar vida, pulsava a cada toque indigesto, inacabável sensação, consumei o prazer, estava dormente, ainda tinha vontade de comer. Adormeci. Meu corpo adolescente viu o dia cair, onde estaria aquela mulher? Sonhei ,mas naquele momento estava sonhando em branco, não tinha nada passando. Escutei uma musica ao fundo, era blues, não conseguia abrir os olhos, não tinha luz, o som me possuía, estava mais perto, ela ria de mim, reconheci aquele perfume, não podia ser, mas era, ela , era ela.
Eu dormia, me acordou, não disse bom dia, não disse meu amor, como uma louca esfomeada me engoliu, me ergueu como um troféu, me fez sentir o céu num beijo, com seus lábios escorregando meu corpo, as curvas ainda sonolentas derretendo em suas mãos ficavam nuas a cada movimento. Da boca ao pescoço, sentindo meu perfume, meu corpo ,misturado com seu cheiro na perfeita sintonia, mais uma peça caia, fervia, da água ao vapor, calor, percorrendo, descendo, mãos ,dedos acariciavam meus seios quentes , rasgando minha pele, costas, suspiros , olhares perdidos, uma fome descontrolada, mais uma mordida,o gosto doce da carne proibida, descendo, barriga, língua, saliva ,palavras sórdidas, ela arrancava com a boca,dizia , me xinga, me grita, chega onde ninguém conseguiu chegar, me tocava , implorava , suava em cima do desejo, da luxuria, dos seus seios nas minhas mãos a se entregar, enquanto se lambuzava, saciava a fome, a sede , o meu corpo devorado, molhado para ela beber, tomar em goles curtos, apreciando minhas falas sujas, delirando de prazer, me invade,ela gritava, dentro de mim me bate, na cara, me joga, me chama, me vira, me deixa de quatro, me pergunta quem é sua mulher, não pára, os gemidos se confundiam,o pecado nos perseguia, sua língua já não falava minha língua , ela era minha, minha mulher e antes que negasse, ela se entregava novamente, algemada no poder de uma mente descontrolada, de mais uma noite fora da cama, de mais um dia com minhas marcas de dentes.
A cena foi tocada como uma música num disco arranhado, diversas vezes, enquanto a noite nos observava, calada, simplesmente, sem uma palavra de consolo, a lua babava ao som do meu tolo corpo que ,enfim, despencava no inferno imaculado do sentimento mais puro e depravado , sagrada traição, mais uma vez passava por cima daquele homem, a carne não pensava ,e através de um único feixe de luz ,de uma porta mal trancada, continuava comendo minha própria madrasta ao doce som de Blues, que tocava, e não parava, não parava de tocar...(M.Seba)
O primeiro raio de luz era desenhado, pintado como o mais belo dos quadros de uma exposição.O primeiro raio de luz era ela, simplesmente nua, de costas na minha direção.Ela só queria pegar uma roupa que a deixasse menos covarde aos olhos humanos, manipulava movimentos nada castos nas gavetas altas daquele comedor de sonhos, maldito armário, traidor daquele lindo cenário, onde estariam suas gavetas no chão? . Imaginava ela de quatro, abrindo e fechando as gavetas em baixo,mas em questão de segundos, passei do claro ao borrão, ela percebeu minha inquietação e se enrolou na toalha, fingi dispersão e fechei os olhos, ela se foi.
Acordei, meu dia começou, o café da manha já havia tomado, tomei-a em goles curtos logo pela manha, saboreei –a devorando com o único dos meus cinco sentidos que me era permitido, agradecia a magia da visão. Ainda deitada, enrolada, falava olhando para uma brecha na parede, aquela bolota de luz ainda babava no meu cobertor, sol vagabundo ainda não havia acordado, mas naquele dia eu lhe perdoei, o senhor sol estava perdoado, ele me acordou com um banho quente, os meus dedos congelados derreteram de repente, e debaixo de um lençol fino peguei fogo em movimentos circulares que não cansavam de tocar a carne - O único pedaço de carne do corpo que me dava prazer, que inferno, lembrava você, me invadira aquele dia, eu tinha idade mas tão pouca vida, eu sempre senti, sempre te vi nos meus sonhos mais sujos, meus desejos mais escondidos, você estava lá gritando meu nome, gozando a fome, não tinha lugar, não tinha hora - e ao mesmo tempo que me saciava, lembro-me ter implorado ajuda para não cometer mais um pecado, havia jurado de joelhos no chão, dizia não e,simultaneamente, gozava aquela gostosa sensação. Molhei todo lençol e a única testemunha desse crime era o sol que ,enfim, acordava .
Levantei. Pernas bambas, caminhei até a porta, derrota , ela veio na minha direção. Sem pedir licença, veio desfilando, lá se foi meu juramento, meu raciocínio? Lamentei por ainda não ser imortal para pensar em algo santo no momento. Fluorescente em um corredor escuro, iluminou as paredes obscuras, estava despida em seus trajes traíras que não escondiam nenhuma curva de toda sua perfeição. Me olhou, como se meu corpo não passasse de mais um bloco de concreto, igual a todo resto que ela já tinha desabado ao passar do banheiro ao quarto. Meu olfato me traia mais do que aquelas roupas fingidas que tentavam enganá-la; Seu cheiro custava tão caro a minha frágil memória, seu cheiro me transportava de um corredor a uma velha história, que ela me contara quando eu ainda não via lagrimas numa aliança, não chorava,e ria do amor como se ele nunca fosse o odor que eu fosse respirar. Respirei, mas respirei tão fundo que senti o doce do ar desintegrando alguns pedaços de mim que ainda me restavam. Então passei do ser vivo ao concreto, estava completa minha transformação, ela se atreveu a alguns milímetros de minha cintura gelada, congelada no vapor dos seus dedos borbulhando de vontade de comer meu corpo. Fome, esse era o nome da boca de cada dedo que descia, com malicia para me devorar, ela também possuía os cinco sentidos, mas preferiu usar o que naquele instante não era permitido, senti ,então, o tato. Fui do céu ao inferno num toque patético se fora daquele circo de epiléticos. Abri os olhos, e depois de degustar a sensação sublime do sexo imaginário, estava sozinha, lembro-me de detalhes, encostada na parede, a audição era a rede que me levou a acreditar que a dois passos ela se lambuzava em amassos indiscretos que entraram direto na minha imaginação.Pêlos, ela lidava com pêlos, músculos, falta de peitos, e algo entre as pernas que não me atraiam pelo menos nessa encarnação. Ela se lambuzava, enquanto eu, estática, chorava, era um homem, um homem em minha casa fazia-me chorar, eu o amava, e ele me tomava o que por falta de lei não era meu. Ela o amava e tomava-o com uma eterna aliança na mão esquerda .Eles eram marido e mulher, e eu deixara de ser criança, por aquela mesma, aquela mesma mulher. Corri, entrei no quarto e queria voltar a posição fetal, o gosto amargo daquela raiva matinal, passei a tarde me torturando, enforcando meus desejos com meus próprios dedos, me tocava, me sentia e me lambuzava sozinha, a passagem da vida no meu corpo de mulher parecia ganhar vida, pulsava a cada toque indigesto, inacabável sensação, consumei o prazer, estava dormente, ainda tinha vontade de comer. Adormeci. Meu corpo adolescente viu o dia cair, onde estaria aquela mulher? Sonhei ,mas naquele momento estava sonhando em branco, não tinha nada passando. Escutei uma musica ao fundo, era blues, não conseguia abrir os olhos, não tinha luz, o som me possuía, estava mais perto, ela ria de mim, reconheci aquele perfume, não podia ser, mas era, ela , era ela.
Eu dormia, me acordou, não disse bom dia, não disse meu amor, como uma louca esfomeada me engoliu, me ergueu como um troféu, me fez sentir o céu num beijo, com seus lábios escorregando meu corpo, as curvas ainda sonolentas derretendo em suas mãos ficavam nuas a cada movimento. Da boca ao pescoço, sentindo meu perfume, meu corpo ,misturado com seu cheiro na perfeita sintonia, mais uma peça caia, fervia, da água ao vapor, calor, percorrendo, descendo, mãos ,dedos acariciavam meus seios quentes , rasgando minha pele, costas, suspiros , olhares perdidos, uma fome descontrolada, mais uma mordida,o gosto doce da carne proibida, descendo, barriga, língua, saliva ,palavras sórdidas, ela arrancava com a boca,dizia , me xinga, me grita, chega onde ninguém conseguiu chegar, me tocava , implorava , suava em cima do desejo, da luxuria, dos seus seios nas minhas mãos a se entregar, enquanto se lambuzava, saciava a fome, a sede , o meu corpo devorado, molhado para ela beber, tomar em goles curtos, apreciando minhas falas sujas, delirando de prazer, me invade,ela gritava, dentro de mim me bate, na cara, me joga, me chama, me vira, me deixa de quatro, me pergunta quem é sua mulher, não pára, os gemidos se confundiam,o pecado nos perseguia, sua língua já não falava minha língua , ela era minha, minha mulher e antes que negasse, ela se entregava novamente, algemada no poder de uma mente descontrolada, de mais uma noite fora da cama, de mais um dia com minhas marcas de dentes.
A cena foi tocada como uma música num disco arranhado, diversas vezes, enquanto a noite nos observava, calada, simplesmente, sem uma palavra de consolo, a lua babava ao som do meu tolo corpo que ,enfim, despencava no inferno imaculado do sentimento mais puro e depravado , sagrada traição, mais uma vez passava por cima daquele homem, a carne não pensava ,e através de um único feixe de luz ,de uma porta mal trancada, continuava comendo minha própria madrasta ao doce som de Blues, que tocava, e não parava, não parava de tocar...(M.Seba)
Reticências
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Pra te ganhar, me perco, tomo um porre de um gole, por um segundo, meu vagabundo aparece e lhe tira para dançar, se aceitares não me diga, não diga nada a esse desgraçado, que toma meu corpo e me deixa pelado, na sua frente, salgado com gosto de água do mar. Pra te ganhar me perco, tomo quente, sem gelo, a quanto tempo te conheço, nunca vi , sempre te vejo, não sei, mas te desejo, não todo dia, nem nunca mais. Eterno, a ponta que nos une acesa, a fumaça queima, enérgica, dentro de bocas que não precisam falar, pois elas desejam,os desejos entocados são abertos e escapam, um filho comigo? Amante ou amigo? Agora ou jamais? nada mais é filtrado,e será que depois de tudo isso seria pecado lhe pedir um pedaço? . Trair? Não ,não traio, pelo menos não me traio, meu amor...olhos vendados não choram, é tudo tão rápido para que eu me preocupe, sei que o presente não faz perguntas, do teu lado, o certo ,sem escrúpulos, bate palmas para o errado, então aprecio o doce sabor desse veneno e não cuspo, engulo, não dou tapa na minha cara, peço para que me bata, e que nunca deixe de tocar nossa musica, muda, que não pode ser escrita, que não pode ser cantada. Pra te ganhar , me perco, num olhar desapareço, me despeço desse mundo, troco trajes de gala por roupas imundas, quero ver o sujo, um lado vagabundo pretendendo devorar, não diga nada, pois hoje joguei meu travesseiro no armário,o tranquei, eu quero dormir num pedaço de pano pendurado, em duas das quatro paredes mudas, testemunhas de frágeis pulsos impulsados, tão amigos que dão medo, conhecidos, nunca vistos, desespero tão seguro que não dá pra segurar. Pra te ganhar, me perco, o passado passa a limpo, e repete em passos lentos, controlado por um tempo que não há de acabar. Um abraço, traz o puro em contraste com vadio, um beijo nos une e nos faz perder sentidos , não todos ,ainda sinto seu gosto ofegante, sem querer incontrolável, imantado no meu corpo, a mistura revirada em um copo sem fundo, que bebo em goles curtos, todo dia me embriago ,Maldito vagabundo que lhe tira pra dançar,depois de tanto tempo, não nego, a historia continua, me encontro num encontro, te perco pra me ganhar. (M.Seba)
Pra te ganhar, me perco, tomo um porre de um gole, por um segundo, meu vagabundo aparece e lhe tira para dançar, se aceitares não me diga, não diga nada a esse desgraçado, que toma meu corpo e me deixa pelado, na sua frente, salgado com gosto de água do mar. Pra te ganhar me perco, tomo quente, sem gelo, a quanto tempo te conheço, nunca vi , sempre te vejo, não sei, mas te desejo, não todo dia, nem nunca mais. Eterno, a ponta que nos une acesa, a fumaça queima, enérgica, dentro de bocas que não precisam falar, pois elas desejam,os desejos entocados são abertos e escapam, um filho comigo? Amante ou amigo? Agora ou jamais? nada mais é filtrado,e será que depois de tudo isso seria pecado lhe pedir um pedaço? . Trair? Não ,não traio, pelo menos não me traio, meu amor...olhos vendados não choram, é tudo tão rápido para que eu me preocupe, sei que o presente não faz perguntas, do teu lado, o certo ,sem escrúpulos, bate palmas para o errado, então aprecio o doce sabor desse veneno e não cuspo, engulo, não dou tapa na minha cara, peço para que me bata, e que nunca deixe de tocar nossa musica, muda, que não pode ser escrita, que não pode ser cantada. Pra te ganhar , me perco, num olhar desapareço, me despeço desse mundo, troco trajes de gala por roupas imundas, quero ver o sujo, um lado vagabundo pretendendo devorar, não diga nada, pois hoje joguei meu travesseiro no armário,o tranquei, eu quero dormir num pedaço de pano pendurado, em duas das quatro paredes mudas, testemunhas de frágeis pulsos impulsados, tão amigos que dão medo, conhecidos, nunca vistos, desespero tão seguro que não dá pra segurar. Pra te ganhar, me perco, o passado passa a limpo, e repete em passos lentos, controlado por um tempo que não há de acabar. Um abraço, traz o puro em contraste com vadio, um beijo nos une e nos faz perder sentidos , não todos ,ainda sinto seu gosto ofegante, sem querer incontrolável, imantado no meu corpo, a mistura revirada em um copo sem fundo, que bebo em goles curtos, todo dia me embriago ,Maldito vagabundo que lhe tira pra dançar,depois de tanto tempo, não nego, a historia continua, me encontro num encontro, te perco pra me ganhar. (M.Seba)
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