Escrever (ê) v. intr. 1. Representar o pensamento por meio de caracteres. 2. Formar letras. v. tr. 3. Pôr ou dizer por escrito. 4. Encher de letras.

sábado, 10 de julho de 2010

Orgasmo.

Orgasmo.

A verdade que te minto
É a mentira que te digo
Faz-se verdade tudo que sinto
Quando minto , por puro colírio,
o delirio veridico que não satisfaz.

(M.Seba)

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Até Amanhã.

Até amanha.

Aquele foi o ultimo abraço, e como eu iria saber que nunca mais o sentiria?
Hoje penso que o fiz tão rápido, seguido de um ‘até amanha’ já de costas, escutei ao fundo um ‘boa sorte' ao longe ,e assim teria passado nossa ultima cena.
Tinha uma prova no trabalho no dia seguinte, estava mais preocupada em acertar umas questões estupidas, do que sentir pela ultima vez, seu cheiro, seu abraço ou qualquer palavra boba.
Se a vida nos desse alguns avisos prévios viveríamos mais intensamente cada “eu te amo” , cada suspiro de quem nos faz levantar da cama, e nunca nos deixaríamos abalar por futilidades cotidianas.Mas não, ela prefere nos dar tapas na cara, e mesmo assim, não aprendemos.
Estava a mil, havia feito a maldita prova , problemas não me faltavam, era meio dia no centro da cidade, reclamava do calor desumano daquele inferno , e de um mendigo pedindo-me pão, incessantemente, por algumas esquinas. O telefone não parava de desequilibrar minha paciência, minha mãe me ligava, pensei se ia atender.
Atendi.
Recebi a noticia, juro que ri, era impossível estar acontecendo, nunca ri tanto na minha vida, o desespero era tamanho, que se eu chorasse estaria acreditando naquela verdade,e assinaria um atestado de mundo desmoronando.
Chorei, cai pela parede arrastada, nunca vi a face da morte assim na minha cara. Não queria levantar, estava nua e sentia frio no calor de quarenta graus do Rio . Nada mais fazia sentido, não era um conhecido, um namorado, uma paixao, nem um amigo, era meu melhor amigo. Tive vontade de comer o chão, de andar de quatro, mas não tinha forças nem para dizer que a merda do sapato caro que eu usava não valia mais nada.
Pessoas continuavam passando , nas suas rotinas sem sentido, Olhavam-me e provavelmente iriam comentar a cena ou não, em casa, vendo o jornal da noite, ou durante o jantar.
O tal mendigo olhava-me , fixamente e triste, deixou-me por longos minutos estirada no chão. Estendeu-me a mão. Senti -me o próprio mendigo queria pedir-lhe um pedaço de pão, mas antes de tentar pronunciar qualquer simulação de palavra, ele tirou do bolso um paninho muito surrado, branco amarelado. Morri. naquele momento morri. Abracei-o e só sabia pedir-lhe desculpas. Eu naquele momento eternizei um ato. Não sei dizer se foram segundos, minutos ou dias... ele Acalmou o que não podia ser domado , não naquele momento.
Olhou-me com cara de sábio e mesmo sem alguns dentes pareceu-me o sorriso mais erudito que já tinha visto na vida. Talvez até familiar, mas a situaçao não me deixou pensar.
Disse-me calmamente olhando nos olhos: “O medo da perda nos faz viver cada segundo, se voce não o conhecia, voce não vivia” continuou olhando-me , e assegurando que aquilo não iria passar, iria sim, amenizar e um dia, transformar-se em saudade
Colocou-me num táxi.
Nasci de novo quando ele bateu a porta do carro, e eu chorei sem parar a dor do tapa que o homem de branco havia me dado.
E é essa frase que eu levo , dentro do bolso, até hoje.
Depois de tanto tempo, depois de tanto choro, hoje ainda sinto saudade daquele seu abraço, tão único, que falava mudo, e eu não respondia, fazendo-me de surda, e que guardo com todo cuidado; Não penso em nada quando ganho um abraço depois desse dia.
Dói-me pensar que seu eu pudesse voltar, que se eu pudesse retomar aquela ultima cena....
Talvez tivesse te dado o mesmo abraço.
O mesmo último abraço. Apressado.

domingo, 13 de junho de 2010

Pouco Provável

Pouco Provável

Pouco provável me conquistar. Pouco provável me ver chorar.
Vivo sorrindo ,mas não mostrando os dentes, não vejo em alguém um bom amigo, não corro atrás de relacionamentos, não acredite em mim em nenhum momento se nunca me viu pedindo para me ver chorar. Um jeito quase perfeito, que camufla, quase engana , uma criança que não pára para olhar os seus defeitos. Eu não minto pra ninguém, mas não acredite em mim. Todos são colegas, conhecidos, nunca vistos, que já levei ou levarei pra cama, que nunca vou levar, ou que já me jogaram sem ao menos me perguntar.
E é só isso.
Com a superficialidade eu tenho compromisso. E vou te enganar até quando me for confortável, ou até quando o pouco provável manifestar-se. Por ser sincero , pode parecer estúpido, e é, mas você viverá ótimos momentos do meu lado.
E é só isso.
Apenas os poucos prováveis sabem que eu nunca vou ser só um amante , ou somente um grande amigo. É muito pouco para o pouco provável que eles atingiram.
Por isso,
Não me conquiste.
Será pouco provável que eu saia da sua vida.
(M.Seba)

sábado, 15 de maio de 2010

Aptidão Inata.

Aptidão Inata.

Mais um tapa,aquilo doía, lembro-me como se fosse hoje, foram tantos durante anos, eu não entendia , mas era o certo ,bastava olhar em volta e enfim,eu realmente acreditava ser uma aberração diante de todos me convencendo que eu estava errado. Escrever meu nome se tornou a mais árdua de todas as coisas que eu fazia durante meu dia, minha mãe falava em tom de agonia, minha professora estava sempre em algum lugar me espiando e se eu segurasse um simples lápis na minha mais habilidosa mão, TAM! Mais um tapa. Ser canhoto, hoje até parece engraçado, eu que nem um tonto tentando enganar meu cérebro a trocar de hemisfério para satisfazer caprichos bobos, tinha poucos anos, e minha maão esquerda tremia , enquanto a direita fazia movimentos infelizes para tentar dançar como a outra fazia. Enfim, não tive saída,depois de tantos diagnósticos, esforço e perseverança, aprendi a ser um correto Ambidestro, palavra bonita, me senti até importante, passei minha vida acreditando ser o que me tinham dito,mas ainda não estava bom, até que um dia consegui, Destro, ouçam todos sou um Destro! Mais aliviado, estava no contexto.

Enfim , Os tempos mudaram, tanto faz sermos destros , ambidestros ou canhotos.... estamos salvos, ou será que apenas transferimos valores, digamos, num filme adaptado para um tempo contemporâneo? . Imaginem agora, Eu sou um menino, e me disseram ,assim que eu nasci ,que minha mão direita é uma menina, como vou falar pra eles , como vou convencê-los que não faz a mínima diferença a mão que uso para escrever, se não escolhi, se simplesmente nasci canhoto? Levo tapas e mais tapas, olhos e mais olhos me criticando, até conseguir alguma habilidade com a Mao direita para me manter dentro do padrão solicitado? . Enganarei todos. Serei mais um destro canhoto, um ambidestro, que ficara louco, mãos tremendo,... mais um mentiroso. Entro no meu quarto,e começo a escrever esse texto, percebo algo interessante, depois de tanto tempo,eu jurava, desatento me pego no flagra, e mesmo depois de tudo, adivinhem a mão que eu uso.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Último Gole.

Último Gole.

Arrancaram-me os braços ,levaram minhas pernas, preferia não ver, mas deixaram-me um olho,apenas um, tiraram minhas roupas , fui vendido a pouco , sinto-me sozinho, jogado de cara no fundo de um poço. Mãe ,não só te ouvi como ignorei, diga ao papai que não voltarei, não adianta me bater,não reajo a soco nem tapa na cara, não sei se respiro ou se choro meu vicio, não sei se choro ou se apenas me viro ;A centímetros, jogado no lixo, vejo-te ,não, não quero te ver , não aqui, meu amigo perdoa-me, eu sei que consegue sentir o mesmo ar que me degrada, destrói-me , tiram-me as palavras que pouco importam quando estou do teu lado; Olha-me, não fala, e me diz o que sempre me disse, me diz que isso tudo não esta existindo, fica comigo,sei lá, te conto uma historia,melhor, te dou minha memória, não consigo falar; Vejo-te tão perto, tão longe de mim, lembranças alcançam-me, matam-me , esganam-me , torturam-me seus olhos fechando implorando-me ajuda, sem braços ,sem pernas ,no meus pensamentos, abraço-te sozinho, só posso te ver por alguns, mais, segundos , num ultimo olhar vou tentar te dizer o quanto eu sou burro, o quanto eu te amo, o quanto eu suplico não ter que te ver, Partindo, diante e antes de mim, lembrando do nosso ultimo brinde, nosso ultimo gole, nossa ultima cena, pequena ,sem volta, de cara num poste.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Uma Dose.

Uma Dose.

De longe foi o porre mais gostoso em todos os meus poucos anos, embriagado de pernas bambas, a vida passava tão lenta, suava sobre rodas que equilibravam corpos arrastados para o centro da terra, íamos ao céu contrastando a gravidade ,e eu via cada momento sendo degustado na mais fina, na mais puta, na mais pura dose de gente, de mulher, nas minhas mãos, desnuda, sentia por dentro pulsadas de um coração, quente, dentre os dedos de um jovem aprendiz, burro, inconseqüente, um delinqüente que não soube lidar, ou somente apreciar, a dose tao unica que lhe deram para beber, a dose tao unica que lhe permitiam amar.Degustei, e assim que o amor fez efeito em questão de segundos, cortei-o, acordei no escuro, tive medo mesmo de mãos dadas, arranquei os dedos, e disse que nao mais o degustaria , menti pra mim mesmo, mas no intimo sabia, essa não era qualquer bebedeira,e ela sabe quem é, sabe que é, não de uma noite, não de uma vida, mas a mulher que vou deitar no colo, embriagado, e ,mesmo sem tê-la, pra sempre fazer poesia.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Almofada de Cetim

Almofada de Cetim

O sol me acorda, com um tapa na cara, levanto triturado, todos os ossos desossados, vôo de calçada em calçada, desvio de grandes motores, brinco entre os odores de um beco abandonado, sinto que estou vivo, peripécias e cheiros fortes confirmam-me liberdade, sem cordas, sem acordes, reviro-me dentre restos, saboreio-me num banquete , são finos filetes, as minhas costelas sobressaltas. Salto, assalto, no asfalto, na calçada, sou feliz, não tenho roupas, sapatos, e nem hora de mijada. Barriga para o alto, nem cheia , nem vazia, nem farta, nem mendiga, desespero, alegria, sou modelo de piada,mesmo assim eu me distraio, vadiando vagabundo, minha vida moribunda, pára e a vê passar, visão estimulante , uma dama de madame, tosada, perfumada, a essência merecida do mais caro elogio, do mais caro descarado. Peito estufado, estirpe elegante, faço-me o melhor da sua nobre linhagem, ladro sem medo e ,simplesmente, dou de cara na calçada, não me nota, desmonta o pobre vira-lata, na lata, sem dó, tão cedo; Nao me desfaço, tenho o cheiro da caça notável na boca, carência de pelos, muito pouco, intercalados, não me nota de novo, que tolo, tão obvio o seu olhar, descrevem-me claramente sua almofada de cetim , recolho-me, enrolo-me e escondo-me , no conforto do meu papelão tímido num cantinho amassado, ela desvia e a deixo passar; ignorância, santa ignorância, a dama quer no mínimo uma cama pra deitar ,infeliz, você só tem a elegância de um cavalheiro nato, e para lhe oferecer, um pedaço de asfalto, e nada mais. Volto com minha barriga para o alto, e ela para o topo dos meus vagabundos sonhos de um rico vira-lata que não se cansa de sonhar.